Os 46% na nova pesquisa que revelam o principal desafio de Lula para vencer Flávio

CEO do Ideia aponta coincidência entre aprovação do presidente e desempenho no segundo turno


A marca de 46% aparece duas vezes em indicadores decisivos para Lula na nova pesquisa Meio/Ideia: é aproximadamente o patamar de aprovação do presidente e também sua intenção de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro. Para Cila Schulman, CEO do instituto, essa proximidade ajuda a revelar um dos principais desafios da campanha petista. Lula precisa melhorar a avaliação de seu governo e transformar esse avanço em novos votos se quiser ampliar seu espaço em uma disputa que, hoje, está empatada (este texto é um resumo do vídeo acima).

No Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, Cila chamou atenção para a relação entre os dois indicadores depois de ser questionada pelo editor José Benedito da Silva sobre os efeitos eleitorais da crise no STF. Na simulação de segundo turno apresentada no programa, Lula e Flávio registram exatamente 46% cada.

Para Cila, a proximidade entre aprovação e intenção de voto indica que os eleitores satisfeitos com o governo estão sendo convertidos em apoio ao presidente. “Quando a gente vê ali a aprovação dele, que é em torno de 46, e a gente vê o segundo turno também em torno de 46, a gente percebe essa transferência de quem gosta do governo do presidente Lula”, afirmou.

O desafio está justamente em ultrapassar esse patamar. Segundo a pesquisadora, Lula ainda pode conquistar eleitores que consideram seu governo bom, mas enfrenta dificuldade para melhorar a própria aprovação — algo especialmente importante para um candidato que busca a reeleição.

Cila considera que sim. “O presidente Lula ainda tem uma margem ali em que ele pode atrair votos de quem considera o governo dele como bom para intenção de voto”, afirmou. Ela ponderou, porém, que o presidente precisa primeiro melhorar seus indicadores de avaliação. Segundo Cila, houve inclusive uma pequena queda nesses índices entre a rodada anterior e a atual. “Ele precisa melhorar esses índices e transformar isso em intenção de voto”, resumiu.

Na avaliação dela, a lógica de uma eleição com um presidente candidato à reeleição passa necessariamente pelo julgamento que o eleitor faz da administração. “O eleitor vota principalmente ou prioritariamente para saber se ele quer ou não continuar com esse governo”, disse.

José Benedito questionou se o desgaste provocado pela crise no Supremo poderia atingir Lula de maneira mais intensa e favorecer o avanço de Flávio. Cila, entretanto, evitou apontar um beneficiário direto. A pesquisa do instituto foi a primeira a medir a repercussão da questão envolvendo o STF. O levantamento mostra que 73% dos eleitores tomaram conhecimento das revelações citadas no programa.

Cila afirmou que a corrupção se tornou a principal questão da eleição nos últimos dias, mas identificou uma particularidade: eleitores dos dois campos enxergam o adversário como envolvido no problema.

“A questão é que os dois lados consideram que o outro lado é corrupto e os dois lados querem votar por conta da corrupção, por motivos diversos”, afirmou Cila.

Para a pesquisadora, a campanha está marcada por uma troca de acusações na qual cada lado atribui ao adversário o problema da corrupção. Por isso, ela não vinculou diretamente a crise no Supremo a uma perda específica de votos de Lula ou a um ganho de Flávio.

É justamente nesse ambiente que os 46% ganham relevância. Com Lula e Flávio empatados nesse patamar no segundo turno, Cila identifica na aprovação presidencial uma variável fundamental para os próximos movimentos da disputa. Se quiser sair do empate, o desafio de Lula, segundo sua análise, passa por melhorar a percepção sobre o governo e converter essa avaliação em intenção de voto.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.



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