Produção de fertilizantes de matriz orgânica amplia alternativas para o agro brasileiro

Evento promovido pela Assiferto RS discute o potencial da economia circular para transformar resíduos em insumos agrícolas e reduzir a vulnerabilidade do país no abastecimento de nutrientes.

BATANEWS/BATANEWS/OPR


Foto: Jonathan Campos

O Brasil importa grande parte dos nutrientes utilizados na agricultura, cenário que expõe o setor às oscilações do mercado internacional e reforça a necessidade de ampliar alternativas de produção nacional. Uma das estratégias em discussão é o uso de fertilizantes de matriz orgânica, tema que estará no centro do 1º Simpósio de Insumos Agrícolas de Base Orgânica, promovido pela Associação das Indústrias de Fertilizantes Orgânicos do Rio Grande do Sul (Assiferto RS).

Pesquisador da Embrapa, Fabiano Daniel De Bona: “Muitas matrizes orgânicas carregam micronutrientes, carbono e compostos húmicos que favorecem a qualidade do solo” – Foto: Divulgação

Entre os destaques da programação está a palestra “Eficiência no uso de Fertilizantes de Matriz Orgânica”, ministrada pelo pesquisador da Embrapa, Fabiano Daniel De Bona. O especialista abordará como o reaproveitamento de resíduos orgânicos pode aumentar a eficiência no uso de nutrientes, dentro dos princípios da economia circular.

Segundo De Bona, parte dos nutrientes aplicados nas lavouras retorna ao sistema produtivo na forma de resíduos orgânicos, que podem ser processados e transformados em novos fertilizantes. “O fertilizante que foi comprado a um preço elevado entra na lavoura, passa pelo ciclo produtivo e, muitas vezes, retorna na forma de resíduos orgânicos. Quando esses materiais são transformados em fertilizantes organominerais ou compostos orgânicos, conseguimos reaproveitar nutrientes que o Brasil importa em grande escala, tornando todo o sistema mais eficiente”, afirma.

Dependência externa amplia importância do reaproveitamento de nutrientes A discussão ocorre em um contexto de elevada dependência brasileira de fertilizantes importados. Atualmente, cerca de 80% do nitrogênio e do potássio consumidos no país são provenientes do exterior. No caso do fósforo, aproximadamente 70% da demanda também é atendida por importações.

Nesse cenário, o aproveitamento de nutrientes presentes em resíduos orgânicos é apontado como uma alternativa para reduzir essa dependência, ampliar a oferta de insumos produzidos no país e dar maior estabilidade ao sistema de produção agrícola.

Além da reciclagem de nutrientes, De Bona destaca que os fertilizantes de matriz orgânica podem proporcionar ganhos relacionados à qualidade do solo. “Muitas matrizes orgânicas carregam micronutrientes, carbono e compostos húmicos que favorecem a qualidade do solo, melhoram o aproveitamento dos nutrientes e contribuem para um sistema produtivo mais equilibrado”, ressalta.

O simpósio reunirá pesquisadores, especialistas e representantes da cadeia de insumos agrícolas para discutir o papel da economia circular na produção de fertilizantes e os avanços no uso de matrizes orgânicas como alternativa para aumentar a eficiência da agricultura brasileira.

Além de apresentar os conceitos relacionados à economia circular, De Bona mostrará resultados de pesquisas da Embrapa sobre fertilidade do solo, nutrição mineral de plantas e aproveitamento de resíduos agropecuários. Os estudos buscam identificar práticas capazes de aumentar a eficiência do uso dos fertilizantes e melhorar o aproveitamento dos nutrientes pelas culturas.

Segundo o pesquisador, a qualidade da matéria-prima utilizada na produção dos fertilizantes de matriz orgânica é um dos fatores que influenciam o desempenho agronômico desses produtos. No entanto, outros aspectos também precisam ser considerados, como a formulação, as características físicas do fertilizante, a recomendação técnica e a compatibilidade com os equipamentos utilizados na aplicação. “O produtor deve avaliar o custo-benefício do fertilizante, observar a qualidade física do material e utilizar a recomendação adequada para cada cultura. Quando a produção acontece regionalmente, toda a cadeia é beneficiada, reduzindo custos logísticos e fortalecendo o agronegócio local”, salienta.

 Ponto de encontro do setor produtivo O 1º Simpósio de Insumos Agrícolas de Base Orgânica será realizado em 6 de agosto, em Bento Gonçalves (RS). A programação reunirá pesquisadores, representantes do setor produtivo, órgãos públicos e especialistas para discutir temas como inovação, regulação, sustentabilidade e os desafios da cadeia de fertilizantes de base orgânica no Brasil.

Promovido pela Assiferto RS, o evento tem participação gratuita, mediante inscrição prévia pela plataforma Sympla.



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