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Brasil pode ter 13,3 mil mortes adicionais por calor durante El Niño, aponta projeção
Relatório considera o número de mortes que pode ocorrer acima do esperado para um período considerado normal; medidas de prevenção serão decisivas
VEJA
O Brasil pode registrar 13,3 mil mortes adicionais relacionadas ao calor até fevereiro de 2027 em decorrência das temperaturas acima da média associadas ao atual episódio de El Niño. A estimativa faz parte de uma projeção do Laboratório de Impacto Climático (CIL), que também aponta que medidas de prevenção e adaptação podem ajudar a reduzir o impacto do calor extremo sobre a população.
A projeção considera o número de mortes que pode ocorrer acima do esperado para um período considerado normal. Para fazer essa comparação, os pesquisadores utilizaram como referência a média de 1996 a 2025.
O cenário brasileiro faz parte de uma tendência mais ampla. Nos próximos seis meses, o estudo estima 239 mil mortes adicionais relacionadas ao calor no mundo, em comparação com um ano normal. Entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, período que corresponde ao início do atual El Niño e à previsão sazonal disponível, a estimativa chega a 451 mil mortes adicionais.
Esses números, no entanto, não significam que as mortes necessariamente ocorrerão. São projeções baseadas na relação entre temperatura e mortalidade e indicam onde o aumento do calor pode representar maior risco. Para os pesquisadores, justamente por ser possível antecipar os períodos de maior exposição, há espaço para agir antes que os impactos aconteçam.
“Oferecemos aos tomadores de decisão em todos os níveis a clareza e a especificidade necessárias para agir antes, e não depois, que as mortes ocorram”, afirma o relatório, publicado na quarta-feira, 23, no site do CIL.
A projeção indica que os maiores impactos nos próximos meses devem se concentrar no Sul Global. No Sahel, por exemplo, são estimadas 66,8 mil mortes adicionais relacionadas ao calor entre setembro e fevereiro. A Nigéria concentra a maior parcela, com 31,4 mil.
Também estão entre os países com projeções elevadas o Sudão, com 17,5 mil mortes adicionais, o Níger, com 10 mil, e o Chade, com 8 mil.
No Sudeste Asiático, Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja podem somar 19,4 mil mortes adicionais, enquanto a Indonésia tem uma estimativa de 19,3 mil. Na América do Sul, o Brasil aparece com uma projeção de 13,3 mil mortes adicionais no período.
Esses números também ajudam a indicar onde os recursos de emergência podem ter maior impacto. Além de saber quais países estão mais expostos, as projeções permitem identificar quando o risco tende a aumentar em cada lugar.
Entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, por exemplo, são estimadas 15,4 mil mortes adicionais na Nigéria e 10,4 mil na Indonésia. No mesmo período, a projeção é de 8 mil no Brasil e 7,4 mil na Índia.
Uma das principais oportunidades está em agir antes dos dias mais quentes. Sistemas de alerta podem avisar autoridades e população com antecedência, permitindo que medidas de proteção sejam colocadas em prática quando o risco aumenta.
Entre as ações citadas pelos pesquisadores estão a criação de centros de resfriamento e pontos de hidratação, o acompanhamento de pessoas mais vulneráveis, a proteção de trabalhadores expostos ao calor e o reforço da capacidade dos serviços de saúde.
Planos de ação contra o calor também podem ajudar a direcionar esforços para quem mais precisa. Idosos, pessoas com doenças preexistentes e indivíduos que trabalham ou permanecem por longos períodos ao ar livre podem exigir atenção especial durante os períodos de temperaturas extremas.
Outra estratégia é combinar previsões meteorológicas com informações de saúde. Dessa forma, autoridades podem identificar com antecedência os locais que deverão enfrentar maior risco e concentrar ali equipes, água, atendimento médico e outros recursos.
A previsão utilizada no estudo vai até fevereiro de 2027, mas os pesquisadores esperam que as temperaturas acima da média possam continuar até meados de 2027.
As temperaturas não podem ser controladas durante um episódio de El Niño, mas seus efeitos sobre a saúde podem ser reduzidos. A possibilidade de antecipar onde e quando o calor será mais intenso permite que autoridades se preparem antes que os hospitais comecem a receber pacientes.
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