Pecuária
Arroba do boi sobe com força e abre novo cenário para a pecuária brasileira
Mercado físico do boi gordo registra valorização em diversas praças, enquanto consultorias apontam dificuldade das indústrias para completar as escalas de abate e projetam ambiente mais firme para a arroba nas próximas semanas.
CVNEWS/REDAçãO
O mercado do boi gordo voltou a dar sinais claros de fortalecimento nesta semana. Após um período de maior cautela, a arroba retomou o movimento de valorização em praticamente todo o país, impulsionada principalmente pela oferta restrita de animais terminados e pela necessidade crescente de compra por parte dos frigoríficos.
O cenário confirma a expectativa de diversas consultorias que acompanham diariamente o setor pecuário. Enquanto a indústria enfrenta dificuldades para alongar suas escalas de abate, produtores voltam a ganhar poder de negociação, sustentando novas altas nas principais regiões produtoras. Ao mesmo tempo, fatores como exportações, mercado futuro e comportamento do consumo interno seguem no radar dos agentes do setor. Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp EUA impõem nova tarifa de 12,5% a produtos brasileiros Escalas seguem apertadas e fortalecem o mercado
Segundo análise da Safras & Mercado, os frigoríficos continuam encontrando dificuldades para preencher suas programações de abate. As escalas atendem, em média, entre quatro e sete dias úteis, nível considerado relativamente curto para esta época do ano.
Para o analista Fernando Henrique Iglesias, o ambiente segue favorável para a sustentação dos preços da arroba.
Além da menor disponibilidade de animais prontos para o abate, o mercado também acompanha questões externas, como a possível aplicação de uma tarifa de 12,5% pelos Estados Unidos sobre diversos produtos importados e o esgotamento antecipado das cotas brasileiras de exportação para a China, fatores que continuam influenciando o humor dos negócios. Agrifatto identifica alta em 12 das 17 praças monitoradas
O movimento positivo não ficou restrito a São Paulo.
De acordo com a Agrifatto, nesta quinta-feira (23), houve valorização do boi gordo em 12 das 17 praças pecuárias monitoradas diariamente, incluindo: São Paulo; Goiás; Minas Gerais; Mato Grosso do Sul; Paraná; Rio de Janeiro; Santa Catarina; Acre; Alagoas; Maranhão; Pará; Rondônia.
Nas demais regiões monitoradas — Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Tocantins — os preços permaneceram estáveis.
Segundo a consultoria, a pressão baixista observada nas semanas anteriores praticamente desapareceu, dando lugar a um ambiente de recuperação consistente dos preços. São Paulo volta a liderar as altas
Os dados da Scot Consultoria mostram que o mercado paulista também ganhou força.
As referências destinadas tanto ao mercado interno quanto ao chamado “boi China” avançaram R$ 4 por arroba, chegando a R$ 342/@ (valor bruto, a prazo), enquanto: vaca gorda passou para R$ 315/@; novilha gorda chegou a R$ 328/@.
Segundo a Agrifatto, a expectativa de reajustes positivos para a carne bovina no atacado estimulou uma postura mais firme das indústrias nas negociações, levando algumas referências a R$ 345/@ no mercado paulista. Atacado começa a reagir
Outro fator importante para a recuperação da arroba é o comportamento do mercado atacadista.
A Safras & Mercado observa que, diante da elevação dos custos da matéria-prima, os frigoríficos passaram a reajustar os preços da carne bovina para preservar suas margens operacionais.
Entre os principais cortes: Quarto traseiro: R$ 26,50/kg; Quarto dianteiro: R$ 20,00/kg; Ponta de agulha: R$ 19,00/kg.
Todos registraram alta de R$ 1,00 por quilo.
Apesar disso, Fernando Henrique Iglesias ressalta que o consumo doméstico ainda apresenta limitações, especialmente diante da forte concorrência de proteínas mais acessíveis, como a carne de frango. Mercado interno pode melhorar em agosto
Na avaliação da Scot Consultoria, o desempenho do varejo começa a mostrar sinais mais positivos.
O engenheiro agrônomo Pedro Gonçalves, analista da consultoria, afirma que o giro da carne bovina melhorou nos últimos dias, permitindo reajustes nas carcaças negociadas no atacado. “O varejo não está na posição mais confortável do ano, porém viu um giro positivo, com reposição de carne com osso boa o bastante para permitir alta nos preços das carcaças casadas no atacado. Se julho está sendo um mês de poucos churrascos, o início de agosto pode apontar para um mercado interno mais favorável.” Mercado futuro realiza lucros, mas tendência segue acompanhada
“O varejo não está na posição mais confortável do ano, porém viu um giro positivo, com reposição de carne com osso boa o bastante para permitir alta nos preços das carcaças casadas no atacado. Se julho está sendo um mês de poucos churrascos, o início de agosto pode apontar para um mercado interno mais favorável.”
Enquanto o mercado físico segue firme, os contratos futuros negociados na B3 registraram realização de lucros após uma sequência de valorização.
Segundo a Agrifatto, o contrato com vencimento em setembro encerrou o pregão cotado em R$ 352,55/@, após queda de 1,86%, movimento considerado técnico depois de vários dias consecutivos de alta. O que esperar da arroba?
O conjunto de indicadores continua sugerindo um mercado sustentado pela oferta limitada de animais terminados.
Embora fatores como o consumo interno e o cenário internacional ainda exijam atenção, as consultorias convergem para um ambiente em que a necessidade de compra dos frigoríficos tende a continuar dando suporte às cotações.
Com escalas curtas, maior seletividade na oferta de animais e expectativa de melhora gradual da demanda no início de agosto, a arroba do boi gordo mantém um viés positivo, reforçando o cenário de recuperação observado nas principais praças pecuárias do país.
Credito. Compre Rural
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