Justiça
MS está entre os estados que lidera taxa de estupros contra mulheres e mantém alerta para violência sexual
REDAçãO
Mato Grosso do Sul registrou redução no número de casos de estupro em 2025, mas continua entre os estados com os maiores índices de violência sexual do país. Os dados constam no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, divulgado nesta quinta-feira (23).
De acordo com o levantamento, o Estado apresentou a maior taxa de estupros contra meninas e mulheres do Brasil, com 142,6 casos para cada 100 mil mulheres. Apesar da liderança no ranking, houve queda de 10,5% em relação a 2024, totalizando 2.105 ocorrências no período.
No cenário nacional, Mato Grosso do Sul aparece entre os cinco estados com as maiores taxas de estupro contra mulheres, ao lado de Roraima (220,1 casos por 100 mil mulheres), Acre (172,5), Rondônia (165,6) e Amapá (127,7).
Casos envolvendo vítimas adultas aumentam Embora o total de registros tenha diminuído, os casos de estupro contra vítimas com mais de 14 anos apresentaram crescimento. Em 2025, foram 400 registros, contra 388 em 2024, aumento de 2,3%.
Já os casos de estupro de vulnerável — que envolvem vítimas menores de 14 anos — caíram 11%, passando de 2.146 ocorrências em 2024 para 1.924 em 2025. A taxa registrada foi de 79,5 casos para cada 100 mil habitantes.
Mesmo com a redução, Mato Grosso do Sul permanece na quinta posição nacional entre os estados com as maiores taxas de estupro de vulnerável. À frente aparecem Roraima (127,1), Rondônia (97,1), Acre (96,6) e Amapá (89,6).
Dourados está entre os municípios com maiores índices Entre os municípios brasileiros, Dourados aparece em destaque no levantamento. A cidade ocupa a 6ª posição nacional em taxa de estupro de vulnerável, com 84,8 casos para cada 100 mil habitantes.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os municípios com maiores índices compartilham características territoriais e socioeconômicas semelhantes.
'A maior parte dessas cidades está localizada em territórios marcados pela expansão de atividades extrativistas, do garimpo e da fronteira agrícola, além da presença de grandes eixos rodoviários, portuários e hidroviários. São locais que compartilham dinâmicas parecidas, seja pela intensa circulação de pessoas, pela presença de populações indígenas submetidas a diferentes situações de vulnerabilidade ou pela forte atividade agropecuária. Essas características não explicam, por si só, as taxas registradas, mas ajudam a compreender o contexto em que essas violências ocorrem', destacou o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O anuário também observa que, com exceção de Mato Grosso do Sul, os estados que concentram as maiores taxas de estupro fazem parte da Amazônia Legal, região marcada por extensos territórios, expansão de atividades extrativistas e agropecuárias, desmatamento, presença de populações indígenas, atuação de facções criminosas e fronteiras internacionais.
Mais de 27 mil casos em quase dez anos Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que Mato Grosso do Sul registrou 27.214 ocorrências de estupro entre 2016 e julho de 2025.
Desse total, 13.564 casos tiveram como vítimas crianças, o equivalente a praticamente metade de todos os registros no período.
Fonte: Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Sejusp-M
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