Surto de ‘diarreia explosiva’ atinge EUA na reta final da Copa do Mundo

Casos de ciclosporíase colocam autoridades em alerta; transmissão ocorre pelo consumo de alimentos ou água contaminados

VEJA / CAMILA MAZZOTTO SEGUIR SEGUINDO


Ciclosporíase: transmissão ocorre pelo consumo de alimentos ou água contaminados (Getty Images/Reprodução)

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Um surto de ciclosporíase, infecção intestinal causada pelo parasita Cyclospora cayetanensis, acendeu um alerta nos Estados Unidos na reta final da Copa do Mundo, período marcado pelo aumento da circulação de turistas e pelo consumo de alimentos fora de casa.

A doença, conhecida por provocar episódios de diarreia intensa e persistente, é transmitida pelo consumo de alimentos ou água contaminados. Ao contrário de algumas infecções gastrointestinais que desaparecem em poucos dias, a ciclosporíase pode se prolongar por semanas quando não é tratada.

Entre o início de maio e 9 de julho, os Estados Unidos registraram 843 casos confirmados de ciclosporíase, segundo informações divulgadas pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). O número, porém, pode estar subestimado: a agência informou que acompanha mais de 1.500 notificações suspeitas que ainda passam por análises para confirmar se são casos da infecção.

O que é ciclosporíase?

A ciclosporíase é uma doença intestinal causada pelo parasita microscópico Cyclospora cayetanensis, também conhecido como Cyclospora. A infecção ocorre pela ingestão de alimentos ou água contaminados com o parasita.

A doença geralmente não é fatal, mas pode provocar sintomas intensos e prolongados. No surto registrado nos Estados Unidos, não houve mortes associadas até o momento, mas 86 pessoas precisaram ser hospitalizadas, de acordo com o CDC.

Nem todas as pessoas infectadas apresentam sintomas. Quando eles aparecem, o parasita, que se instala no intestino delgado, costuma provocar principalmente “diarreia aquosa com evacuações frequentes e, às vezes, explosivas“, ainda segundo o CDC.

Outros sintomas possíveis incluem:

Em pessoas com o sistema imunológico saudável, a infecção pode desaparecer sozinha. No entanto, sem tratamento, os sintomas podem persistir por dias, semanas ou até mais de um mês. Também é possível que a pessoa melhore e, depois, apresente uma nova crise de sintomas.

Além disso, pessoas com saúde debilitada ou imunocomprometidas podem apresentar maior risco de desenvolver quadros graves ou prolongados da doença.

O período entre a contaminação e o início dos sintomas costuma ser de cerca de uma semana, mas pode variar de dois dias a duas semanas ou mais. O diagnóstico é feito a partir da análise de uma amostra de fezes. Como os sintomas podem se parecer com os de outras infecções intestinais, o diagnóstico depende de testes específicos.

Como ocorre a transmissão?

A Cyclospora é eliminada nas fezes de pessoas infectadas e pode contaminar água e alimentos. Diferentemente de alguns vírus e bactérias, o parasita não costuma ser transmitido diretamente de uma pessoa para outra.

Isso acontece porque, depois de eliminado nas fezes, o protozoário precisa permanecer no ambiente por cerca de uma a duas semanas para se tornar capaz de causar infecção. Por isso, o contágio geralmente ocorre pelo consumo de alimentos ou água contaminados.

Como prevenir?

A melhor maneira de prevenir a ciclosporíase é evitar alimentos ou água que possam estar contaminados com fezes.

Em viagens para regiões tropicais e subtropicais, onde a doença é mais frequente, é importante ter atenção redobrada: métodos comuns de higienização, como o uso de alguns produtos químicos, podem não ser suficientes para eliminar a Cyclospora, que apresenta resistência a determinados processos de desinfecção.

O CDC recomenda as medidas abaixo para reduzir o risco de contaminação:

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