Produção recorde, lavouras fortalecidas e crédito mais seletivo marcam safra em MS

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O agronegócio de Mato Grosso do Sul encerra a temporada 2025/2026 com resultados expressivos no campo, consolidando uma das melhores safras dos últimos anos. Enquanto a soja alcançou produção recorde, o milho segunda safra apresenta desenvolvimento favorável em grande parte do Estado. Em contrapartida, os dados mais recentes apontam desaceleração na liberação de crédito rural, refletindo um cenário de maior cautela financeira.

Levantamento da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), realizado em parceria com o Sistema Famasul e a Semadesc, mostra que a safra de soja superou as expectativas iniciais. A área cultivada atingiu 4,62 milhões de hectares, crescimento de 2,1% em relação ao ciclo anterior.

A produtividade média estadual chegou a 60,4 sacas por hectare, avanço de 16,6% na comparação com a safra passada. Como resultado, a produção total alcançou 16,744 milhões de toneladas, representando aumento de 19,1% sobre o volume colhido em 2024/2025.

As regiões norte e nordeste tiveram papel fundamental no desempenho estadual. A região norte liderou os índices de produtividade, com média de 68 sacas por hectare. Entre os municípios, Alcinópolis conquistou o primeiro lugar no ranking de produtividade, registrando média de 81,85 sacas por hectare.

Já no ranking de produção, Ponta Porã manteve sua posição de destaque como maior produtor de soja do Estado, ultrapassando 1,46 milhão de toneladas colhidas. Maracaju e Sidrolândia aparecem na sequência entre os maiores polos produtores.

Segundo os técnicos da Aprosoja/MS, apesar das dificuldades climáticas enfrentadas durante parte do ciclo, especialmente em janeiro de 2026, quando a estiagem e as altas temperaturas afetaram diversas regiões, a recuperação das chuvas nos meses seguintes garantiu melhores condições para o enchimento dos grãos e a conclusão da colheita.

Enquanto a soja celebra resultados históricos, o milho segunda safra segue apresentando perspectivas positivas. O Projeto SIGA-MS aponta que 71,5% das lavouras estão em boas condições de desenvolvimento. Outros 17,8% são classificados como regulares e 10,7% apresentam condições consideradas ruins.

A estimativa atual prevê o cultivo de 2,206 milhões de hectares, com produtividade média de 84,2 sacas por hectare e produção próxima de 11,14 milhões de toneladas.

As melhores condições das lavouras são observadas nas regiões norte, oeste e nordeste do Estado. O desempenho tem sido favorecido pelas chuvas registradas em abril, que ficaram acima da média histórica em grande parte do território sul-mato-grossense, garantindo boa umidade do solo e condições adequadas para o desenvolvimento das plantas.

Apesar do cenário favorável, o monitoramento continua atento aos riscos típicos desta fase da safra, especialmente a possibilidade de estiagem e ocorrência de geadas em algumas regiões produtoras.

Outro dado que chama atenção é a mudança gradual no perfil produtivo do Estado. Nesta temporada, o milho ocupa aproximadamente 46% da área cultivada anteriormente com soja, percentual inferior aos 75% observados em anos anteriores, reflexo das limitações da janela de plantio e da adoção de culturas alternativas em áreas consideradas de maior risco climático.

No mercado, a comercialização antecipada do milho já alcança 24% da produção estimada para 2026, demonstrando confiança dos produtores e movimentação ativa do setor.

Por outro lado, o crédito rural apresentou desaceleração em abril. Os financiamentos concedidos em Mato Grosso do Sul somaram R$ 931,1 milhões, queda de 39,56% em comparação com março, quando as liberações ultrapassaram R$ 1,5 bilhão.

A redução acompanha o comportamento nacional e ocorre após o período de maior demanda por recursos destinados ao plantio da segunda safra de milho e ao encerramento do ciclo produtivo da soja.

Mesmo com a retração, o custeio continua sendo o principal destino dos recursos, concentrando 75% do volume liberado no mês. Os financiamentos são utilizados principalmente para aquisição de insumos, sementes, defensivos agrícolas e demais despesas operacionais das propriedades rurais.

A agricultura respondeu por mais de 60% do crédito rural disponibilizado em abril, movimentando R$ 561,2 milhões. Já a pecuária apresentou desempenho positivo, registrando crescimento de 5,05% em relação ao mesmo período do ano passado e alcançando R$ 369,9 milhões em financiamentos.

Os bancos públicos seguem liderando as concessões, responsáveis por mais de 60% dos recursos liberados no Estado. No entanto, especialistas apontam que os juros elevados e a maior seletividade das instituições financeiras têm reduzido o ritmo das operações de investimento, levando produtores a priorizarem financiamentos voltados ao custeio da produção.

O conjunto dos indicadores mostra que Mato Grosso do Sul mantém sua posição entre os principais polos agrícolas do país. Com safra recorde de soja, milho em desenvolvimento satisfatório e um setor produtivo cada vez mais focado em eficiência e tecnologia, o Estado segue fortalecendo sua relevância no agronegócio brasileiro, mesmo diante de desafios climáticos e de um ambiente financeiro mais restritivo.



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