Mulheres recebem 26% a menos que homens em MS, aponta MTE

Diferença salarial no Estado supera média nacional e se mantém mesmo com avanço da participação feminina no mercado

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Mulheres ainda recebem menos que homens, aponta pesquisa - FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

A remuneração média das mulheres em Mato Grosso do Sul segue significativamente inferior à dos homens, mesmo diante do aumento da presença feminina no mercado de trabalho. Dados do 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mostram que as trabalhadoras sul-mato-grossenses recebem, em média, R$ 3.065,70, enquanto os homens ganham R$ 4.151,02, diferença de 26%.

De acordo com o Correio do Estado, o levantamento considera estabelecimentos com 100 ou mais empregados e tem como base informações da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). No recorte nacional, a desigualdade é menor, mulheres recebem, em média, 21,3% a menos que os homens.

Em Mato Grosso do Sul, a disparidade se repete em praticamente todos os recortes analisados, inclusive quando se considera raça. Entre trabalhadores não negros, os homens têm remuneração média de R$ 5.067,47, contra R$ 3.706,03 das mulheres. Já entre negros, os homens recebem R$ 3.701,36, enquanto as mulheres ganham R$ 2.658,43, evidenciando um duplo recorte de desigualdade (de gênero e racial).

Além da remuneração média, o salário contratual mediano também revela diferença. Enquanto os homens têm mediana de R$ 2.496,51, as mulheres recebem R$ 1.967,35 no Estado.

Mato Grosso do Sul contava, em dezembro de 2025, com 652 estabelecimentos com 100 ou mais empregados, responsáveis por 226,1 mil vínculos empregatícios. Desses, 83 mil eram ocupados por mulheres, sendo 50 mil por mulheres negras (60,2%) e 32,9 mil por mulheres não negras (39,6%). Os homens empregados nessas empresas somavam 143,1 mil, dos quais 95,1 mil eram negros (66,4%) e 48 mil não negros (33,5%).

A diferença salarial também aparece quando analisados os grandes grupos ocupacionais. Entre dirigentes e gerentes, por exemplo, as mulheres recebem cerca de 62,1% da remuneração média dos homens. Em cargos de nível superior, esse percentual sobe para 75,7%, mas ainda distante da igualdade.

Nos cargos técnicos de nível médio, a proporção cai para 60,3%, enquanto nas atividades operacionais, onde está a maior parte dos vínculos empregatícios, as mulheres recebem 64,2% da remuneração masculina. Já nos serviços administrativos, a diferença é menor, mulheres ganham, em média, 78,7% do rendimento dos homens.

Apesar da persistência da desigualdade salarial, o relatório do MTE aponta avanços na participação feminina no mercado de trabalho. Entre 2023 e 2025, o número de mulheres empregadas no país cresceu 11%, passando de 7,2 milhões para 8 milhões, um acréscimo de 800 mil trabalhadoras.

O crescimento foi ainda mais expressivo entre mulheres negras, com aumento de 29%, o que representa mais 1 milhão de novas ocupações.

Mesmo com essa expansão, a massa de rendimentos das mulheres subiu de 33,7% para 35,2%, ainda distante da participação feminina no emprego, que é de 41,4%. Segundo o MTE, para alcançar esse equilíbrio, seria necessário um acréscimo de R$ 95,5 bilhões nos rendimentos das trabalhadoras.

Os dados nacionais indicam que, apesar da expansão das oportunidades, ainda é necessário avançar na equiparação salarial e em outros aspectos.

“Quando nós defendemos a igualdade salarial, não estamos defendendo puramente aquele número nominal de valor do salário das mulheres e homens numa empresa. Nós estamos falando da função que essa mulher está, das condições de trabalho em que ela se encontra, dos direitos que ela já tem garantidos e que muitas vezes não são cumpridos”, afirmou a ministra das Mulheres, Márcia Lopes.

“As mulheres ainda se ressentem muito de todos esses processos que as discriminam, que as inferiorizam, que as subalterniza por vários interesses e, principalmente, pela cultura ainda misógina, machista. A gente tem que trabalhar muito mais, tem que dialogar muito mais, tem que se juntar a todas as confederações, as entidades, as instâncias federativas”, completou a ministra das Mulheres.

O relatório indica que a desigualdade salarial não apresentou melhora significativa desde a implementação da Lei nº 14.611/2023, que trata da igualdade salarial entre homens e mulheres. No salário mediano, a diferença passou de 13,7% para 14,3%. Já na remuneração média, subiu de 20,7% para 21,3% no País.

Por outro lado, aumentou o número de empresas com menor desigualdade. Estabelecimentos com até 5% de diferença no salário mediano cresceram 3,8%, chegando a cerca de 30 mil. No rendimento médio, esse grupo avançou 4,3%.

Também houve avanço em políticas internas, como oferta de jornada flexível (de 40,6% para 53,9%), auxílio-creche (de 22,9% para 38,4%) e ampliação de licenças parentais.

O Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, reforçou as palavras de Márcia Lopes e disse que a luta por igualdade das mulheres vai além da questão salarial. Para ele, é preciso estar atento à promoção das carreiras.

 “Não é somente a igualdade de salário na mesma função. Nós estamos falando da necessidade da promoção de valorização das mulheres na ascensão nas carreiras. Nós queremos estabelecer passo a passo, degrau por degrau, na construção da igualdade salarial, mas ela é um pedacinho do todo que nós desejamos quando se debate o direito das mulheres”.

A Lei nº 14.611, sancionada em 2023, determina que empresas com 100 ou mais empregados adotem medidas para garantir igualdade salarial, como transparência remuneratória, fiscalização contra discriminação e programas de diversidade.



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