Folha estreia série Idosos Conectados sobre a relação da população mais velha com os smartphones

FOLHA


Idosa usa um smartphone na cidade de Breves, na Ilha de Marajó, no Pará - Mathilde Missioneiro - 17.set.2025/Folhapress

A Folha estreia neste sábado (31) a série Idosos Conectados, sobre a relação da população brasileira de mais de 60 anos com as telas de celulares e redes sociais. Serão quatro reportagens publicadas semanalmente no site e no jornal impresso.

De acordo com a pesquisa TIC Domicílios 2025, 81% das pessoas de 60 a 69 anos possuem um celular. Dos 70 aos 79, são 66%. Entre os de 80 anos ou mais, 35%. Essa é a média do Brasil, mas, quanto mais alta a classe social, mais celular elas têm. Na classe AB, são 96% (60 – 69 anos), 87% (70 – 79 anos) e 43% (80 anos ou mais).

Na fase do envelhecimento, o aparelho pode tanto ajudar a prevenir a queda de cognição quanto acelerá-la. 'O processo de aprender algo novo auxilia na proteção contra o declínio cognitivo do idoso, porque estimula novas conexões cerebrais. Nesse sentido, o esforço para lidar com as novas ferramentas do celular pode ser algo positivo', diz o psiquiatra Rodrigo Machado, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo).

No entanto, os aspectos positivos da conexão podem ser subvertidos quando o idoso enfrenta algum tipo de declínio cognitivo, com a capacidade afetada para detectar perigos como o contato de golpistas que se passam por membros da família ou até por artistas famosos pedindo dinheiro. Além do uso indiscriminado de jogos online, que também podem comprometer a saúde financeira.

O risco de dependência surge especialmente para aqueles que enfrentam o isolamento, que têm muito tempo ocioso e dificuldades para preenchê-lo com atividades presenciais.

'Muitas famílias acabam tendo de estabelecer um controle parental dos idosos', afirma o psiquiatra.

As séries ajudam o leitor a entender um tema de forma aprofundada por meio de reportagens e análises. 'Adolescentes', 'Eu Desisto', 'Direitos Reprodutivos', 'Doe Órgãos', 'Saúde Mental' e 'É Tudo Amor' são algumas já publicadas.



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