Barroso deixa presidência do STF em meio à reta final dos julgamentos do chamado golpe de 2023

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Foto: Divulgação

O ministro Roberto Barroso encerra nesta segunda-feira (29.set.2025) seu mandato como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele será sucedido pelo ministro Edson Fachin, que comandará a Corte até 2027.

A saída de Barroso ocorre em um momento decisivo: a fase final dos julgamentos da tentativa de golpe de Estado de 2023. O Supremo já condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e 3 meses de prisão, por liderar a organização criminosa que planejou a ruptura institucional. Agora, o Tribunal avança sobre os três núcleos operacionais dos atos extremistas de 8 de janeiro. A expectativa é concluir os processos ainda em 2025, antes do calendário eleitoral de 2026.

Quando assumiu a presidência, em 2023, Barroso defendeu a pacificação nacional e afirmou que “a democracia venceu”. Dois anos depois, as divisões se aprofundaram e o STF se tornou alvo de novos ataques — inclusive internacionais.

O governo do presidente Donald Trump, nos Estados Unidos, impôs sanções a ministros do Supremo, revogou vistos e aumentou tarifas sobre produtos brasileiros em até 50%, em reação à condenação de Bolsonaro. A Casa Branca chegou a acionar a Lei Magnitsky contra o relator da ação penal, ministro Alexandre de Moraes, acusando-o de “detenções arbitrárias” e “supressão da liberdade de expressão”.

Barroso classificou o julgamento como um “divisor de águas na história do Brasil”, defendendo que o processo foi público, transparente e baseado em provas. Em resposta às críticas de Washington, afirmou que as sanções resultam de uma “interpretação equivocada” sobre os acontecimentos no país.

Segundo Barroso, o julgamento do núcleo ligado a Bolsonaro foi a parte “mais impactante” e, com sua conclusão, o tema tende a perder força política à medida que o foco se desloca para as eleições presidenciais de 2026.

O núcleo 4, responsável pela máquina de desinformação e ataques às urnas, já tem sessões marcadas para 14, 15, 21 e 22 de outubro. Os núcleos 2 e 3 ainda aguardam definição de datas e serão conduzidos pelo ministro Flávio Dino, novo presidente da 1ª Turma do STF.



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