Davide Ancelotti garante foco no Botafogo e rechaça divisão com a Seleção: 'Cabeça está aqui'

Inscrito como auxiliar contra o Vasco, treinador foi apresentado oficialmente pelo Alvinegro no Nilton Santos

GLOBOESPORTE.COM / JéSSICA MALDONADO


Davide Ancelotti foi apresentado oficialmente, na tarde desta segunda-feira, no Estádio Nilton Santos, como técnico do Botafogo . O italiano, filho de Carlo e até então auxiliar da seleção brasileira, garantiu foco no Alvinegro e prometeu que implementará um futebol com "coragem e personalidade".

No sábado, Davide, ainda sem regularização na CBF, ficou no banco como auxiliar na vitória diante do Vasco pelo Brasileirão. O contrato dele vai até o fim de 2026 e inclui uma cláusula que permite que vá vá à Copa do Mundo integrando a equipe do pai.

— Eu sou o treinador do Botafogo. Minha concentração e entrega é para o clube. Estou comprometido para o clube agora até o final da temporada. Estarei 100% aqui, minha cabeça está aqui. Não penso em outra coisa. Sobre a Copa do Mundo vamos ver o que vai acontecer. Estou aqui e feliz. Não (sobre ter participação na comissão de Carlo) — disse.

O novo treinador surpreendeu ao falar português fluente durante toda a entrevista. Ele explicou que aprendeu o idioma depois de chegar à Seleção e indicou a importância de falar a língua do país. Além de italiano e português, Davide também fala alemão, francês e espanhol.

— Falo português porque tenho capacidade de aprender rápido. Já falei com os jogadores, muitos falam espanhol também. Acredito que tenho que fazer isso por respeito ao clube, aos torcedores e aos profissionais. Me esforço muito para aprender rápido. Quando eu fui na Seleção em junho eu não sabia nenhuma palavra, mas agora aprendi.

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Renato Paiva foi demitido por não estar dentro do "Botafogo Way" pensado por John Textor. Davide Ancelotti afirmou que pretende jogar com coragem e vê o estilo alinhado com o que o dono da SAF procura.

— Ambição, coragem e ser um clube diferente nós (Davide e Textor) estamos alinhados. No futebol de hoje um time tem que jogar bem e fazer diferentes coisas para ganhar. Vamos trabalhar duro para fazer isso. Os jogadores têm que representar os valores do Botafogo. O sistema pode mudar, mas isso tem que ser claro. Temos que jogar com coragem. Somos um time campeão, então temos que ter personalidade. Esse time é muito grande e representa muita coisa — disse.

— Tem que ser uma equipe que sabe ganhar de distintas formas. Claramente queremos jogar um futebol vertical, que os torcedores gostem. Os valores do clube são ambição e coragem. Isso é muito claro para mim. Quero representar os torcedores do Botafogo. No futebol a gente tem que se adaptar ao contexto do jogo. Para ganhar, uma equipe inteligente é uma equipe que saiba se adaptar — completou.

Davide aguarda ser regularizado nos próximos dias para, enfim, estrear como treinador oficial do Botafogo. Isso pode acontecer na quarta-feira, às 21h30, contra o Vitória, no Nilton Santos. Diante do Vasco, o italiano ficou no banco de reservas inscrito como auxiliar de preparador de goleiros.

Veja outras respostas de Davide Ancelotti:

Primeiros dias no Botafogo

— Vou procurar falar em português. Agradecer à diretoria pela confiança e pelo esforço de ter nos acompanhado no jogo em Brasília, foi muito importante. Foi uma semana intensa, de muito trabalho, muita emoção. Contente de conhecer a diretoria, comissão, os profissionais e os jogadores. Tudo foi muito bonito. Muita felicidade.

Relação com Ancelotti

— Estou muito feliz de ser filho do Carli, sou muito orgulhoso. Agora é a minha trajetória. Sei que tenho que trabalhar duro. Estou aqui hoje pelo meu trabalho. Tenho que demonstrar com resultados e trabalhos. Minha trajetória começou no último jogo e vou passo a passo, com calma e muita ambição.

Outros italianos especulados

— É normal as especulações. Só estou concentrado no trabalho e em ganhar o próximo jogo.

Reação de Ancelotti

— Está feliz de me ter perto aqui no Rio. Ele também pensa como eu. Para começar a minha trajetória não tem lugar melhor. Está muito feliz.

— Ele ficou feliz por ter o filho perto dele. E eu estava feliz por estar perto dele também. Meu projeto de trajetória é o melhor lugar. Ele também acha isso.

Ser o técnico mais jovem do Brasileirão

— É verdade que sou jovem mas tenho muitos anos trabalhando no futebol. Cheguei semana passada, os profissionais do clube me ajudam muito. O Cláudio (Caçapa) e os analistas me ajudam muito sobre informações das equipes daqui. Ser jovem tem suas coisas positivas e coisas sobre não ter experiência. Tenho que cometer erros para crescer. Mas estamos em um ambiente onde todos estamos crescendo. Quero crescer ao lado do clube.

O que sabia sobre o Botafogo

— Quando falei a primeira vez com o John (Textor), não pensei muito. Foi muito rápido. A ambição e grandeza que esse clube tem é a mesma que eu tenho. Estamos muito alinhados. Temos um elenco que estou conhecendo esses dias e minha concentração está aqui. Estou focado em ganhar jogos.

Lições que aprendeu com Ancelotti

— Meu pai aprendeu que as pessoas são muito importantes. Para mim primeiro são as pessoas. O mundo do futebol são as relações pessoais, é a coisa mais importante que meu pai me ensinou.

Parte tática

— A ideia contra o Vasco foi ser agressivo no começo do jogo. A gente sabe que os times de Diniz são difíceis de roubar a bola, mas queríamos ter a ambição de fazer a pressão alta no início. Comecei com essa escalação mas todos terão a oportunidade de mostrar nos treinos. Nos treinos vi que o Nathan tem a oportunidade de ser um centroavante e vi que poderia ser uma boa alteração. Tínhamos muito espaço para atacar depois do gol e ele teve muita atitude de atacar as costas da defesa do Vasco.

Mudanças no time

— Como falei, a comunicação com Léo (Coelho), Alessandro (Brito) e John é constante. Não posso chegar e mudar tudo. Tenho respeito pelo trabalho de antes. É um processo. Temos que competir e ganhar jogos. Pouco a pouco vamos crescer. Não estou aqui para mudar tudo. Vamos fazer coisas que consideramos importantes.

Calendário

— A tendência no futebol no mundo inteiro é essa (quantidade alta de jogos). Minha experiência na temporada passada no Real Madrid foi de 70 partidas. Estou acostumado a treinar um clube que joga muito. É um problema geral porque a qualidade dos jogos baixa. Nessa Copa do Mundo os clubes europeus chegaram cansados e a qualidade dos jogos não foi das melhores.

Estilo de jogo

— Agora temos um atacante, o Arthur Cabral, que tem características que temos acostumar a jogar com ele. Isso é se adaptar. Na saída de bola temos um atacante que pode segurar a bola para a gente. Quando atacamos temos que ter claro que podemos ser uma equipe perigosa. Temos que chegar à área... Estamos trabalhando isso. Não temos muito tempo, mas podemos melhorar também com os jogos.

Por que escolher o Botafogo

— Seguramente a ambição que eu vi nas palavras do Textor e a possibilidade de ser parte da família do Botafogo... É um clube que tem muita história e ambição. Para mim, foi muito fácil. Fico agradecido pelos clubes interessados em mim. Tive conversas, sim. Quando Textor chamou não tive nenhuma dúvida. Estou muito feliz de estar aqui.

Conflito de interesses com o pai na Seleção

— Vou trabalhar como treinador do Botafogo e meu pai como treinador do Brasil. Ele vai convocar o elenco que seja melhor. Se ele convocar jogadores do Botafogo eu vou ficar feliz porque significa que o trabalho está sendo bom.

Assistente contra o Vasco

— Costumo fazer isso. Sempre fui assistente (risos). Cláudio fez um trabalho excelente. Sempre respeitei que não poderia fazer o trabalho de primeiro treinador. Diferente vai ser no próximo jogo, quando vou ser o primeiro treinador.

Relação com o scout

— Todo treinador está feliz quando chegam reforços. Estou feliz com o elenco que tenho hoje. A comunicação é constante. Essa pergunta é para o clube, temos jogadores jovens, de muito talento, na base também. Há jogadores de potencial. Estou focado em conhece-los melhor.

Altitude na Libertadores

— A libertadores está longe, estou focado em outros desafios. Vai ser uma viagem longa e novidade. Vou precisar da ajuda dos profissionais do clube.

Sintético

— Isso tem que ser uma vantagem. Temos que jogar um futebol de poucas pausas. Vindo da Europa, há diferença. Temos que fazer o treino com mais ritmo e mais curto. Em casa, isso pode ser uma vantagem.

Prioridade em competições

— Botafogo é um clube de exigência muito grande, pela história que tem e qualidade dos jogadores. Eu sei da exigência, mas não falamos nada sobre ganhar títulos. Falou comigo sobre jogar e representar os valores do clube. É jogar um futebol atrevido. Vou trabalhar duro para conseguir isso. Só temos tempo para preparar o próximo jogo.

Olhar para o futebol da América do Sul

— Fui surpreendido pela qualidade individual no duelo dos jogadores brasileiros. Olhei o jogo do sub-20 e me surpreendi pelos recursos dos jogadores quando é o momento de fazer o 1x1. Na Itália, por exemplo, não temos isso. Os jogadores brasileiros todos têm isso. Me surpreendeu. Nos jogos, o futebol é organizado em todo o mundo. Na Copa do Mundo as equipes competiram muito bem. O pensamento coletivo na Europa é de que o futebol brasileiro está crescendo.

Lideranças no elenco

— Falei com os capitães, foi uma das primeiras coisas. Para mim que sou jovem, é muito importante ter essa liderança compartilhada com eles. Os líderes vão me ajudar. Estou muito agradecido pela maneria como eles me acolharem. Foi uma ajuda muito grande quando eu cheguei. Sinto que estou preparado para começar minha trajetória, tenho uma comissão técnica de confiança, me sinto muito feliz e preparado porque tenho uma experiência muito longa com meu pai.

Por que parou de jogar

— Poderia dizer que foi por lesão, mas não (risos). Escolhi estudar porque era melhor. Escolhi estudar.

Comparação do elenco do Botafogo com outros que já trabalhou

— Comparando o elenco que temos agora com os elencos que tive na minha experiência, o primeiro que vi foi a competitividade nos treinos. Isso é muito importante. A competitividade interna tem que ser forte. É difícil ser árbitro nos treinos daqui. Gostei muito daqui.

Início de carreira

— Estou no melhor trabalho do mundo e vivendo meus primeiros passos como treinador. Agora é tudo muito bonito. Estou vivendo um sonho. O que mais sinto é esperança. Estou acostumado a contextos ganhadores e exigentes e isso que buscava. Penso que estou no clube ideal e contexto adequado para buscar iniciar minha carreira. É um privilégio e o que buscava desde o principal.

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