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Nikão afastado no Athletico: os bastidores da decisão do técnico Martin Varini e da diretoria
Medida tomada pelo treinador não é unanimidade no clube, mas é acatada pela direção; jogador passa a treinar separado e não deve atuar mais com Varini no comando
GLOBOESPORTE.COM / NADJA MAUAD E RODRIGO SAVIANI
O afastamento do meia Nikão no Athletico não foi unanimidade dentro da diretoria e do elenco. A decisão foi tomada pelo técnico Martin Varini na segunda-feira e informada ao jogador pelo próprio treinador, em uma conversa após o treino.
O elenco do Athletico foi informado sobre o afastamento de Nikão nesta terça-feira. O jogador passa a treinar em separado e não deve mais atuar com Varini no comando.
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Logo depois de ser comunicado do afastamento, na segunda-feira, Nikão teve uma conversa com o diretor esportivo Paulo Autuori e com o diretor financeiro Márcio Lara, que atua diretamente no dia a dia também do futebol.
O jogador foi comunicado por eles que a decisão era do treinador. Como Varini foi uma escolha do presidente Mario Celso Petraglia, a opção do técnico uruguaio foi respeitada.
Foi colocado para Nikão a possibilidade de o clube honrar com os compromissos salariais, para que fosse evitado que ele treinasse em separado, reconhecendo a sua história dentro do Athletico.
Também foi citado o fato de Nikão ter entrado na partida contra o Vasco, pelas quartas de final da Copa do Brasil, para ser um dos cobradores nas penalidades. Quando procurado pelo técnico Martin Varini, Nikão admitiu que não estava se sentindo confiante e que tinha entrado muito rápido. Com isso, Canobbio foi o escolhido para substituí-lo nas cobranças - o atacante uruguaio parou no goleiro vascaíno.
Mesmo assim, após a partida, o atacante Pablo, em entrevista à Amazon Prime, enalteceu as lideranças do grupo e citou Fernandinho, Thiago Heleno e o próprio Nikão como referências.
Nikão é um dos maiores ídolos da história do Athletico. Até por isso, o afastamento causou surpresa e estranhamento internamente em funcionários e em alguns atletas. Eles respeitam a decisão, mas acreditam que poderia ter um desfecho diferente.
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Fora de posição
Desde que chegou a Athletico, Varini admitiu que não tinha conseguido encontrar ainda um espaço para Nikão no time. Logo depois da vitória sobre o Belgrano por 2 a 1, o treinador chegou a elogiar o dia a dia do meia, por ser uma das lideranças e também pela representatividade na história do clube.
Porém, taticamente, Varini é um treinador que não abre mão das próprias ideias de jogo e acredita que os jogadores precisam se adaptar rapidamente ao estilo proposto.
Desde que chegou ao clube, Varini tem optado em atuar com pontas abertos em velocidade – Cannobio e Cuello são os titulares.
No começo de agosto, após jogo com o Grêmio, pelo Brasileirão, Nikão comentou que vinha jogando fora de posição com Martín Varini.
– Cada treinador tem suas particularidades, cabe respeitar. Cada característica de jogo pede um tipo de jogador. É um estilo em que o extremo fica bem aberto, com o pé na linha. Eu sou um cara que roda mais, na parte central, em movimento, eu sou um meia-atacante, não sou ponta, como é o Cuello, Canobbio, Julimar. Tenho uma característica diferente, mas estou trabalhando muito para voltar e ficar à disposição – disse Nikão, naquele momento.
Após ser informado do afastamento, Nikão se posicionou nas redes sociais sobre o assunto e citou a “falta de comunicação' com Martín Varini, incluindo de trabalhos antigos — eles trabalharam juntos no Cruzeiro, em 2023.
— Hoje recebi a notícia do meu afastamento dos jogos por uma decisão do treinador, enquanto ele estiver no cargo. Segundo ele, estamos com falta de comunicação, não só de hoje, mas de trabalhos antigos no qual estivemos juntos — escreveu.
Energia
Internamente, Varini conversa muito com os jogadores e também cita com frequência a palavra “energia'. O treinador busca que todos estejam na mesma página. Se algo pode mudar essa energia ou alterar o ambiente, o alerta é ligado.
Recentemente, o técnico uruguaio fez uma reunião com os jogadores para conversar sobre ambiente e como os atletas estavam se sentindo, justamente na busca para realinhar essa “energia'.
Ídolo rubro-negro
Sem espaço no São Paulo no início do ano, Nikão retornou ao Athletico em abril. Multicampeão pelo clube, ele é um dos maiores ídolos da história do Rubro-Negro. Foi bicampeão da Sul-Americana (2018 e 2021) e conquistou também a Copa do Brasil de 2019, J. League/Conmebol, em 2019, e os estaduais de 2016 e 2020.
Na primeira passagem foram 314 jogos disputados pelo Rubro-Negro, com 152 vitórias e 49 gols marcados. Já neste retorno, Nikão disputou 18 jogos, 10 como titular, com dois gols marcados, ambos pelo Brasileirão.
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