Esportes
Yamal, Mbappé, Álvarez... lista alerta sobre jogadores em maratona de jogos
Atletas disputam mais de 60 partidas em 2023/24 e sobrecarga tende a se repetir nas próximas temporadas, com inchaços de Champions League, novo Mundial de Clubes e Copa do Mundo
MATHEUS TIBúRCIO
Com a conclusão da Eurocopa e da Copa América, chegou ao fim a temporada 2023/24 e também a maratona de jogos para grandes jogadores do futebol mundial. Nomes como Julián Álvarez, do Manchester City, Mbappé, ex-Paris Saint Germain e reforço do Real Madrid, e até Yamal, atacante de 17 anos do Barcelona, integram a lista de atletas com mais de 60 partidas na temporada. O número não é incomum em anos com competições internacionais de seleções, mas preocupa frente ao inchaço do calendário a partir de 2024/25.
Levando em conta os que atuam por clubes europeus, o atacante argentino Julián Álvarez foi quem mais disputou jogos em 2023/24. Foram 68 partidas, sendo 54 pelo Manchester City e 14 pela seleção da Argentina. Na cola ficaram Valverde, meia uruguaio do Real Madrid; Foden, atacante inglês do Manchester City; Luis Díaz, atacante colombiano do Liverpool; e Darwin Núñez, atacante uruguaio do Liverpool, com 67 jogos cada.
Julián Álvarez (24 anos): 68 jogos (54 de Manchester City e 14 de Argentina)Valverde (25 anos): 67 jogos (54 de Real Madrid e 13 de Uruguai)Darwin Núñez (25 anos): 67 jogos (54 de Liverpool e 13 de Uruguai)Foden (24 anos): 67 jogos (53 de Manchester City e 14 de Inglaterra)Luis Díaz (27 anos): 67 jogos (51 de Liverpool e 16 de Colômbia)Gakpo (25 anos): 66 jogos (53 de Liverpool e 13 de Holanda)Van Dijk (33 anos): 64 jogos (48 de Liverpool e 16 de Holanda)Yamal (17 anos): 64 jogos (50 de Barcelona e 14 de Espanha)Rodrygo (23 anos): 64 jogos (51 de Real Madrid e 13 de Brasil)Rodri (28 anos): 63 jogos (50 de Manchester City e 13 de Espanha)Mbappé (25 anos): 61 jogos (48 de PSG e 13 de França)
Depois de uma Copa do Mundo no meio de 2022/23, a temporada 2023/24 representou a primeira de três seguidas com competições internacionais em junho e julho, tradicional período de férias do futebol europeu. A Eurocopa e a Copa América foram realizadas em 2024. O Mundial de Clubes com 32 times, nos Estados Unidos, é a novidade para 2025 e, com o novo formato da Champions League, da Liga Europa e da Liga Conferência, equipes europeias podem ultrapassar a marca de 70 jogos na temporada. Em 2026 é a vez da primeira Copa do Mundo com 48 seleções, nos Estados Unidos, México e Canadá.
– É impossível que os jogadores mantenham o nível atuando a cada três dias. Todo jogador internacional que joga com uma equipe em três competições sente. Uefa, Fifa e federações deveriam se planejar para que um jogador não devesse disputar 60 jogos por ano – reclamou Carvajal, lateral-direito do Real Madrid e da seleção da Espanha.
O caso de Yamal, que completou 17 anos de idade no sábado passado, é emblemático. O atacante espanhol disputou 64 jogos em 2023/24, sendo 50 pelo Barcelona e 14 pela Espanha (como titular, 30 e 10, respectivamente). Um jogador tão jovem submetido a uma carga de partidas profissionais tão grande é exemplo da preocupação com a saúde dos atletas e com o risco de lesões.
Consultada pelo ge, a Fifa indicou uma pesquisa do Observatório do Futebol do Centro Internacional de Estudos de Esporte (CIES Football Observatory) a qual mostra que a entidade é responsável por menos de 1% do calendário de jogos. A Uefa e a Associação Mundial das Ligas (WLA) não responderam até a publicação dessa reportagem.
Exceção à regra
De acordo com o estudo do CIES Football Observatory sobre a carga de jogos de 2012 a 2024, jogadores com 60 jogos ou mais em uma temporada são exceção: apenas 0,31% de cerca de 20 mil atletas em 40 ligas de todo o mundo. A concentração é nas faixas até 40 partidas, totalizando 91,1%. Aqueles que atuam mais de 5 mil minutos (equivalente a 55,6 jogos completos) representam 0,29% desse universo; contra 88,5% que somam até 2 mil minutos (equivalente a 22,2 partidas cheias).
A pesquisa indica que a média de jogos por temporada e por jogador foi de 24,09 entre 2012 e 2024. Ela vai aumentar para 24,45 no período de 2024 a 2028. No entanto, os atletas vão continuar tendo uma média em torno de 1600 minutos em campo (equivalente a 17,8 partidas cheias), "impulsionado por fatores como a regra de cinco substituições e tendências no tamanho do elenco".
Críticas ao Mundial de Clubes
A bronca maior da FifPro, sindicato internacional dos jogadores de futebol, é com a Fifa, por causa da criação do novo Mundial de Clubes. Apoiados pelo órgão, a Associação de Jogadores Profissionais de Futebol da Inglaterra e a União Nacional de Jogadores Profissionais da França entraram com uma ação judicial contra a entidade máxima do futebol, citando direitos como condições saudáveis de trabalho e período anual de férias remuneradas. A FifPro e a WLA haviam ameaçado a Fifa com ações legais por causa do calendário.
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Na época das ameaças, a Fifa rebateu a FifPro e a WLA, alegando que houve consultas com confederações continentais, ligas, clubes e jogadores, além de que organiza "uma pequena fração" de partidas de clubes por ano. Segundo o levantamento do CIES Football Observatory, de 2024 a 2028, os jogos de ligas vão representar 81,3% da carga dos jogadores, contra 9,6% de associações nacionais, 8,1% de confederações continentais e 0,97% da Fifa.
A Associação Europeia de Clubes (ECA) assinou um memorando de entendimentos com a Fifa em 2023, o qual inclui promessas de cooperação na organização de competições de clubes e uma voz maior dos times em decisões comerciais da edição de 2025 do Mundial.
Manchester City e Chelsea, ambos da Inglaterra, e Paris Saint-Germain, da França, vão disputar o novo Mundial de Clubes. Completam a lista de 12 times europeus no torneio: Real Madrid e Atlético de Madrid (Espanha); Bayern de Munique e Borussia Dortmund (Alemanha); Inter de Milão e Juventus (Itália); Benfica e Porto (Portugal); e RB Salzburg (Áustria).