O Palmeiras pode exigir jogos no Allianz Parque? Crítica de Abel reacende polêmica sobre contrato

Com estádio sob concessão da Real Arenas, braço da WTorre, Verdão só pode conversar, negociar e buscar soluções junto à empresa para evitar mudanças a Barueri quando o cronograma permite

GLOBOESPORTE.COM / CAMILA ALVES


Confira a coletiva de Abel Ferreira, do Palmeiras, após derrota para o Athletico

Abel Ferreira reacendeu a polêmica do Allianz Parque, no último domingo, ao assumir um discurso crítico sobre a impossibilidade do Palmeiras de receber partidas no estádio. É a terceira vez neste Brasileirão, por choque de datas com shows marcados em sua própria casa. Mas o clube pode fazer algo para mudar?

As críticas do treinador, a insatisfação da torcida e o acúmulo de partidas na Arena Barueri levantam questionamentos sobre o que o Verdão tem feito para atender às cobranças.

O Palmeiras pode exigir jogos no Allianz Parque? É possível embargar shows? E a falta de pagamento das receitas acertadas?

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Apesar das críticas recorrentes de Abel Ferreira e até mesmo da presidente, Leila Pereira, o Palmeiras explica que o contrato de concessão dá esse direito de escolha à WTorre.

É a empresa que decide o calendário, o que será prioridade e quando o clube poderá utilizar o próprio estádio. O Palmeiras não pode exigir a manutenção de jogos no Allianz Parque ou mesmo embargar a realização de shows marcados, por exemplo.

Diante disso, segue adotando as mesmas ações que pode: conversar, negociar e buscar soluções junto à empresa, para evitar mudanças a Barueri quando o cronograma permite. Como aconteceu na reta final do Brasileiro de 2023, acelerando desmontagens de palco e aceitando público reduzido para usar o estádio em confrontos decisivos na busca pelo título.

Procurada pela reportagem, a WTorre diz que o Palmeiras tem desfalcado de cinco a seis vezes no ano, porque os shows são marcados com antecedência e o cronograma depende da montagem e da desmontagem dos palcos.

Há um acordo, porém, para não pegar: semifinais e finais do Paulista, Copa do Brasil a partir das oitavas de final e fases de mata-mata da Libertadores. As datas são bloqueadas por aproximação.

Disputa nos tribunais

Há uma disputa na Justiça entre o Palmeiras e a Real Arenas, braço da WTorre responsável pela administração do estádio, mas por outro motivo: a falta de pagamento de receitas.

O Palmeiras cobra cerca de R$ 160 milhões, no valor atualizado em fevereiro, por falta de repasses de receitas acumuladas desde 2015, e a ação segue em trâmite, correndo em segredo de Justiça.

Esses valores, aliás, crescem à medida que a disputa não se resolve e os eventos seguem ocorrendo no estádio.

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Aberta em 2017, ainda na gestão do então presidente Maurício Galiotte, a ação cobra receitas sobre: locação para shows, exploração de áreas como lanchonetes e estacionamentos, além de locações de cadeiras, camarotes e naming rights.

E o valor ao qual o Palmeiras tem direito aumenta ao longo dos 30 anos de parceria (veja a tabela completa abaixo).

A Real Arenas, por sua vez, reconhece haver um débito, mas discorda dos valores alegados pelo Palmeiras e diz ter direito a receber outra verba do próprio clube. A construtora busca discutir esses números na Corte Arbitral, e o Verdão cobra na Justiça Comum.

A diferença de âmbito jurídico existe porque o Palmeiras diz que a WTorre apresenta relatórios mensais detalhando as receitas que o clube tem direito a um percentual e assim entende que o tema não pode ser tratado na arbitragem - que é onde parceiros negociam assuntos em que há divergência de interpretação contratual.

E sem o Allianz, há outras opções?

A torcida do Palmeiras costuma mencionar principalmente o Pacaembu e o Canindé, da Portuguesa, como opções para substituir a Arena Barueri. Os estádios rivais do Verdão estão fora de discussão neste momento.

O Pacaembu tem sido considerado entre as opções, mas para o segundo semestre e caso a reforma esteja concluída até lá. O estádio está fechado para obras desde 2020 e tinha previsão de abertura em janeiro de 2024, com a final da Copinha, terminou adiado e ainda não tem nova data.

O Canindé, por outro lado, ainda que agrade parte da torcida - pela proximidade na cidade, facilitando a logística - tem uma estrutura aquém do ideal para o Palmeiras.

Até quando vai a parceria entre Palmeiras e WTorre?

Os 30 anos da parceria começaram a valer a partir da inauguração da arena, no fim de 2014. Ou seja, o contrato entre o clube e a construtora é válido até novembro de 2044.

Qual o percentual a que o Verdão tem direito nas receitas?

As receitas do Palmeiras pela locação da arena para eventos, além da exploração de áreas como lojas, lanchonetes e estacionamento são:

Até 5 anos da abertura: 20%De 5 anos até 10 anos da abertura (estágio atual): 25% De 10 anos até 15 anos da abertura: 30%De 15 anos até 20 anos da abertura: 35%De 20 anos até 25 anos da abertura: 40%De 25 anos até 30 anos da abertura: 45%

Já as receitas pela locação de cadeiras, camarotes, além do naming rights com a Allianz são:

Até 5 anos da abertura: 5%De 5 anos até 10 anos da abertura (estágio atual): 10% De 10 anos até 15 anos da abertura: 15%De 15 anos até 20 anos da abertura: 20%De 20 anos até 25 anos da abertura: 25%De 25 anos até 30 anos da abertura: 30%

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