Agricultura
Chuva atrasa soja e pode encurtar janela de plantio do milho no Paraná
Semeadura alcança 71% da área prevista, mas excesso de umidade, baixa luminosidade e temperaturas abaixo da média também reduzem a proporção de lavouras em boas condições.
O plantio da soja avançou no Paraná e alcançou 71% da área estimada para a safra 2026/27, superior a 5,7 milhões de hectares. Apesar da evolução dos trabalhos nos períodos de menor precipitação, a semeadura continua atrasada em relação às três últimas temporadas, principalmente nas regiões onde o excesso de chuva tem limitado o acesso de máquinas às lavouras.
O ritmo de implantação da cultura é acompanhado por outro fator de preocupação: a deterioração das condições das áreas já semeadas. Segundo o Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), as precipitações acima da média, combinadas à menor incidência de luz solar e às temperaturas abaixo das esperadas para esta época do ano, têm prejudicado o desenvolvimento das plantas.
Na avaliação semanal, a participação das lavouras classificadas em boas condições recuou de 88% para 85%. Em contrapartida, as áreas em condição mediana passaram de 11% para 14%. As lavouras consideradas ruins permaneceram em 1%.
A combinação de solo excessivamente úmido, menor luminosidade e temperaturas mais baixas reduz o ritmo de desenvolvimento da soja. Além de dificultar a entrada de equipamentos nas propriedades, o excesso de precipitação pode comprometer a uniformidade das lavouras e prolongar o ciclo da cultura.
Reflexos sobre o milho
Foto: Antonio Neto
O possível prolongamento do ciclo da soja também merece atenção pelo efeito sobre o calendário da segunda safra. No Paraná, o plantio do milho está previsto para janeiro, e atrasos na implantação ou no desenvolvimento da oleaginosa podem interferir na janela disponível para a semeadura do cereal.
A preocupação está relacionada à sucessão entre as culturas. Quanto mais tarde ocorrer a colheita da soja, menor será o intervalo para implantação do milho, aumentando a pressão sobre o calendário operacional e a exposição da segunda safra às condições climáticas ao longo do ciclo.
Embora o plantio tenha avançado significativamente durante os intervalos de estiagem, a evolução da semeadura e a recuperação das condições das lavouras dependerão do comportamento das chuvas nas próximas semanas
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