Justiça
Gaeco pede pena maior para Neno Razuk e aponta uso da Assembleia no jogo do bicho
DOURADOS AGORA/FLáVIO VERãO
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul recorreu ao Tribunal de Justiça para aumentar a pena do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk. Preso desde 3 de agosto, ele foi condenado a 16 anos de prisão por suposta organização criminosa e exploração do jogo do bicho. A sentença foi proferida pelo juiz José Henrique Kaster Franco, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande.
No recurso, os promotores do Gaeco sustentam que Neno usou a estrutura da Assembleia Legislativa durante o mandato para imprimir material do jogo do bicho e empregar integrantes do grupo, que recebiam salários pagos pelo poder público. Para o Ministério Público, o uso do cargo e dos recursos da Casa deve pesar no cálculo da pena.
O advogado Ricardo Pereira, que defende o ex-deputado, classificou a condenação como juridicamente insustentável e contestou o pedido de aumento da pena. Os réus também recorreram para tentar anular a sentença ou reduzir as penas.
O Gaeco ainda pediu penas maiores para outros condenados, entre eles o major da reserva Gilberto Luís dos Santos, que recebeu pena de 17 anos. Segundo os promotores, ele usou o porte de arma e o acesso a sistemas restritos da segurança pública, como o SIGO e o Infoseg, para levantar informações sobre pessoas e veículos e monitorar rivais do grupo.
O Ministério Público também afirma que a organização recorria a policiais reformados e contratava pistoleiros da fronteira para intimidar quem se recusava a colaborar. Segundo o recurso, essas pessoas ficavam expostas a assaltos, invasões de domicílio e ameaças de morte.
Ex-deputado responde a outra ação
Neno Razuk também é réu por lavagem de dinheiro em uma ação decorrente da quarta fase da Operação Successione, ao lado dos irmãos Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk. O pai deles, Roberto Razuk, também virou réu no caso e morreu em 15 de outubro.
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