Agricultura
Soja acumula queda de até 4,3% em outubro
Saca é cotada a R$ 154,61 em Paranaguá e a R$ 148,77 no Paraná. Receio com excesso de chuvas no Sul leva produtores a restringir vendas e limita pressão sobre os preços.
BATANEWS/OPR
A expectativa de produção recorde de soja na safra 2026/27 pressiona as cotações no Brasil e no mercado internacional. Até a última sexta-feira (16), o Indicador Cepea/Esalq de Paranaguá acumulava queda de 4,30% no mês, com a saca de 60 quilos cotada a R$ 154,61. No indicador do Paraná, a retração era de 3,96%, para R$ 148,77 por saca.
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o avanço da colheita no Hemisfério Norte e o ritmo intenso da semeadura brasileira reforçam a perspectiva de maior disponibilidade global da oleaginosa.
No mercado doméstico, porém, as preocupações com os possíveis efeitos do El Niño têm levado parte dos produtores a restringir as negociações no mercado spot, de entrega imediata, limitando as quedas.
Os dados dos indicadores mostram que, apesar das oscilações diárias, os preços permaneceram abaixo dos níveis de abertura do mês nas duas referências acompanhadas.
Oscilações diárias não revertem perdas Em Paranaguá, a saca passou de R$ 154,75 em 09 de outubro para R$ 154,61 na última sexta-feira. Nesse intervalo, o menor valor entre as datas apresentadas foi de R$ 154,15, registrado na última terça-feira (13). Após duas altas consecutivas, de 0,09% na última quarta-feira (14) e de 0,27% na última quinta-feira (15), o indicador voltou a recuar na sexta-feira, com baixa de 0,06%.
No Paraná, a cotação passou de R$ 148,31 no dia 9 para R$ 148,77 no dia 16. A recuperação em parte do período ajudou a reduzir a perda acumulada no mês, que era de 4,47% no dia 13 e passou a 3,96% no último levantamento apresentado.
Na sexta-feira, os indicadores tiveram movimentos distintos: enquanto Paranaguá registrou ligeira queda, a referência paranaense subiu 0,04%. A diferença entre as duas cotações ficou em R$ 5,84 por saca.
Incerteza climática restringe vendas A resistência de parte dos produtores em negociar está associada às dúvidas sobre as condições de desenvolvimento da safra brasileira. De acordo com o Cepea, a preocupação com o excesso de chuvas no Sul também alimenta especulações sobre uma possível migração de parte da área destinada à soja para o milho.
Essa possibilidade ainda representa uma incerteza para o mercado, e não uma mudança de área confirmada. No curto prazo, o efeito apontado pelo centro de pesquisas é a retração dos vendedores, que reduz a disponibilidade de soja para negociação imediata e oferece alguma sustentação às cotações.
Brasil tem peso na projeção de oferta mundial Apesar do risco climático, as projeções citadas pelo Cepea continuam indicando produção mundial recorde em 2026/27, impulsionada sobretudo pelo Brasil, responsável por mais de 40% da oferta global.
O peso brasileiro faz das condições de plantio e desenvolvimento das lavouras um componente relevante para a formação dos preços. Por enquanto, a expectativa de maior oferta mantém a pressão de baixa, enquanto a cautela dos produtores diante do clima limita a intensidade dos recuos no mercado doméstico.

