Política
Os três pontos da estratégia do PT para tentar derrotar Flávio Bolsonaro
Cúpula petista quer explorar declarações do adversário, levar a disputa para o campo das propostas e recuperar eleitores que não votaram no primeiro turno
VEJA
O PT decidiu dividir sua atuação nos dezessete dias que antecedem a votação entre o confronto direto com Flávio Bolsonaro, a apresentação de propostas e a defesa de políticas implementadas nos governos de Lula. A orientação foi discutida em reunião de mobilização da campanha, segundo o deputado federal reeleito Jilmar Tatto (PT-SP).
Integrantes do PT querem que Lula tenha confrontos diretos com Flávio. Em reuniões em Brasília e em São Paulo na noite desta quarta-feira, 7, ficou definido que a campanha pretende explorar declarações do presidenciável do PL sobre medidas relacionadas à Constituição e usar as redes sociais para sustentar que o adversário pretende alterar direitos da população. É importante ressaltar que ambos os candidatos chegaram ao segundo turno sem participar de qualquer debate presidencial.
Segundo Jilmar Tatto, que participou da reunião ao lado de Fernando Haddad (PT), Marina Silva (Rede), Eduardo Suplicy (PT), José Genoino (PT) e outros membros da legenda, objetivo é apresentar o senador como alguém sem preparo para ocupar a Presidência. “A estratégia nossa não é uma estratégia de aumentar a rejeição do Bolsonaro”, afirmou Tatto a VEJA. A campanha pretende confrontar o adversário em três campos — propostas, currículo e capacidade de governar —, enquanto apresenta alternativas para o país.
A avaliação da cúpula petista é que a campanha precisa pressionar Flávio a se posicionar sobre temas capazes de alcançar o eleitor de centro e aqueles que ainda não definiram o voto. A ideia é tirar a discussão exclusivamente da comparação entre os dois candidatos e colocá-la também sobre o que cada um pretende fazer caso chegue ao Planalto.
“O segundo turno é isso, você escolhe aquele que você não quer, mesmo não gostando daquele em quem você vai votar”, disse Tatto. Para ele, a campanha precisa mostrar ao eleitor quais seriam as consequências de cada escolha e disputar especialmente quem ainda está distante das urnas.
É nesse grupo que entra a terceira preocupação petista: a abstenção. Tatto afirma que a campanha pretende mirar tanto os indecisos quanto os eleitores que não compareceram no primeiro turno, além de identificar quem migrou para outros candidatos. O foco inclui segmentos que tradicionalmente deram apoio a Lula, mas que tiveram comportamento diferente nesta eleição. “Nós vamos trabalhar aquelas pessoas que não foram votar, no indeciso, e ter uma avaliação de quem, ou votou outro, ou já beneficiou o Flávio Bolsonaro no primeiro turno”, afirmou.
A avaliação do petista é que os dezessete dias de segundo turno, embora curtos, produzem uma disputa diferente daquela do primeiro turno. Com apenas dois candidatos e o mesmo tempo de propaganda para cada lado, a campanha será marcada por oscilações na intenção de voto. “A pesquisa vai ser uma gangorra”, resumiu Tatto. “O mesmo receio que a gente tem de perder a eleição, o outro lado também tem.”
Outra prioridade definida pelo PT será a defesa do legado de Lula. A orientação é não concentrar a comunicação apenas na trajetória política do presidente, mas apresentar políticas, programas e resultados dos governos petistas como argumentos para conquistar o eleitor. A campanha quer transformar conquistas concretas em uma espécie de comparação entre os dois projetos de país.
A aposta, portanto, é combinar o confronto com Flávio Bolsonaro com a apresentação de propostas e a defesa das realizações de Lula. Na avaliação do deputado, uma parcela do eleitorado pode não ter preferência pelo atual presidente, mas ainda assim ser convencida pela possibilidade de preservação de políticas que considera importantes.
“Vocês vão perder conquistas, se não votar no Lula”, disse Tatto ao resumir a mensagem que a campanha pretende levar ao eleitor. “Assim, se a pessoa não gosta do Lula, mas com certeza a vida dela vai ficar pior com o Flávio Bolsonaro.”
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