Lula diz que Brasil não aceita submissão aos EUA e critica atuação de adversários no exterior

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom contra adversários políticos nesta quarta-feira (16), durante ato de campanha em Ceilândia, no Distrito Federal. Candidato à reeleição, Lula afirmou que o Brasil não comporta políticos que, segundo ele, adotam uma postura de submissão aos Estados Unidos. A declaração ocorreu no evento “Brasil Pronto pra Mais no DF”, incluído na agenda oficial de campanha do petista. 

Ao abordar a relação do Brasil com o governo americano, Lula empregou a expressão “vira-lata” para atacar adversários e vinculou a crítica à defesa da soberania nacional.

“Esse país não comporta político vira-lata. Esse país não comporta político que de dia mostra a bandeira nacional e de noite vai ficar de quatro pros Estados Unidos, para a bandeira americana”, declarou.

No discurso, o presidente também direcionou as críticas ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Lula acusou Eduardo de atuar nos Estados Unidos para pressionar autoridades americanas a adotarem medidas contra o Brasil. A caracterização de Eduardo como “traidor da pátria” e a afirmação de que ele teria buscado uma “intervenção” americana foram feitas pelo próprio presidente durante o ato e representam uma acusação política de Lula. 

“Tá lá o Eduardo Bolsonaro, traidor da pátria, falando mal do Brasil, pedindo para o Trump fazer intervenção no país”, afirmou.

Eduardo vive nos Estados Unidos e, em 2026, já foi alvo de decisões da Justiça brasileira relacionadas à sua atuação política no exterior. Em setembro, o TSE também determinou a retirada de publicações feitas por ele que continham informações consideradas falsas sobre as urnas eletrônicas. 

A defesa da soberania brasileira tem sido explorada por Lula em manifestações recentes, especialmente após as disputas comerciais com os Estados Unidos e as tarifas aplicadas a produtos brasileiros. O governo brasileiro tem sustentado que divergências comerciais não devem ser utilizadas como instrumento de interferência em assuntos políticos internos.

Mais cedo nesta quarta-feira, durante encontro com lideranças evangélicas, Lula afirmou ter transmitido pessoalmente ao presidente americano Donald Trump um pedido para que não interferisse no processo eleitoral brasileiro.

Em Ceilândia, o tema ganhou caráter diretamente eleitoral, com Lula usando a questão da soberania para confrontar adversários ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O evento em Ceilândia faz parte da campanha presidencial de Lula na reta final antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. A participação do presidente no ato constava da agenda pública dos candidatos divulgada nesta quarta-feira. 

Participaram da mobilização Leandro Grass (PT), candidato ao Governo do Distrito Federal, e as candidatas ao Senado Erika Kokay (PT) e Leila Barros (PDT). A primeira-dama Janja Lula da Silva também acompanhou o presidente.

As declarações ocorreram em um ato eleitoral e devem ser entendidas nesse contexto: expressões como “vira-lata” e “traidor da pátria” são qualificações utilizadas por Lula contra seus adversários, e não classificações factuais independentes.



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