Agricultura
Demanda chinesa e piora das lavouras dos EUA sustentam alta da soja em agosto
Em Sorriso (MT), preço médio subiu 7,9% em agosto, enquanto câmbio, prêmios de exportação e menor oferta interna deram suporte às cotações no Brasil
BATANEWS/OPR
Agosto terminou com alta moderada da soja na Bolsa de Chicago (CBOT), sustentada principalmente pela retomada das compras chinesas e pela piora das condições das lavouras nos Estados Unidos. No Brasil, o movimento de valorização foi mais forte, apoiado pelo câmbio, pelos prêmios de exportação e pela menor disponibilidade de soja no mercado spot.
A média do primeiro vencimento da soja na CBOT ficou em US$ 11,99 por bushel em agosto, alta de 0,4% sobre julho. Ao longo do mês, as cotações oscilaram entre a expectativa de uma safra norte-americana elevada e o avanço dos problemas climáticos sobre as lavouras.
No relatório de agosto, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projetou a produção norte-americana em cerca de 123 milhões de toneladas, impulsionada pelo aumento da área cultivada, apesar da revisão negativa da produtividade.
Na segunda metade do mês, porém, a piora das condições das lavouras voltou a incorporar prêmio climático aos preços. No fim de agosto, 58% das áreas de soja dos Estados Unidos estavam classificadas como boas ou excelentes, abaixo dos 65% registrados no mesmo período de 2025. A cultura avançava para as etapas finais de formação de vagens e enchimento de grãos.
A demanda também deu sustentação às cotações. A China acelerou as compras da soja norte-americana da safra 2026/27, elevando as vendas antecipadas dos Estados Unidos após o desempenho mais fraco registrado no ciclo anterior. Até o fim de agosto, as vendas externas da nova safra somavam aproximadamente 11,9 milhões de toneladas, quase o dobro do volume registrado um ano antes.
Preço no Brasil sobe 7,9% em Sorriso No mercado brasileiro, a valorização foi mais expressiva. Em Sorriso (MT), a soja registrou preço médio de R$ 129 por saca em agosto, alta de 7,9% em relação a julho.
Além da recuperação das cotações em Chicago na segunda metade do mês, os preços domésticos receberam suporte do câmbio, dos prêmios de exportação e da demanda nos portos e no mercado interno.
A comercialização mais avançada da safra 2025/26 e a entrada do país na entressafra também reduziram a disponibilidade de lotes no mercado spot. Com menor oferta imediata, os produtores
Foto: R.R.Rufino
passaram a exigir preços mais elevados para novas vendas. Segundo a Consultoria Agro do Itaú BBA, esse movimento levou os preços FOB nos portos brasileiros aos maiores níveis dos últimos três anos.
Oferta global cresce, mas demanda mantém mercado ajustado No relatório de setembro, o USDA fez ajustes marginais no balanço global da soja para a temporada 2026/27. A principal alteração foi a elevação da estimativa para a produção norte-americana, acompanhada de aumento na projeção de exportações do país.
O maior fluxo de embarques, por outro lado, reduz a previsão de estoques finais dos Estados Unidos. Na China, principal importadora mundial, as estimativas de importação e esmagamento permaneceram inalteradas, mantendo a perspectiva de demanda elevada.
Para Brasil e Argentina, o USDA não promoveu mudanças relevantes nas projeções de produção, consumo ou exportações. Com isso, os estoques globais projetados foram ligeiramente reduzidos. Para a Consultoria Agro do Itaú BBA, o aumento da oferta mundial deve ser absorvido em grande parte pelo crescimento da demanda, mantendo um balanço global relativamente ajustado.
Foto: Divulgação
Chuvas devem ditar o ritmo do plantio O clima passa a ser um dos principais fatores de acompanhamento para o início da nova safra brasileira. As previsões para as próximas duas semanas apontam condições distintas entre as principais regiões produtoras.
No Paraná, a expectativa é de chuvas mais regulares e volumes suficientes para recompor a umidade do solo e favorecer o avanço das operações de campo. Com esse cenário, o plantio da soja tende a ganhar ritmo ao longo de setembro, especialmente no Oeste do Estado.
Em Mato Grosso e Rondônia, as precipitações devem permanecer mais irregulares e mal distribuídas. A condição pode levar os produtores a escalonar a semeadura e aguardar maior regularidade das chuvas antes de ampliar o ritmo de plantio.
Para a Consultoria Agro do Itaú BBA, a diferença entre as condições de umidade das regiões produtoras será determinante para o ritmo de implantação da safra nas próximas semanas.
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