Ureia chega a US$ 468/t, enquanto MAP recua com demanda menor no Brasil

Nitrogenados ganham suporte com as tensões no Oriente Médio, mas importações de ureia caem 23% e as de MAP, 18%, nos oito primeiros meses do ano.

BATANEWS/OPR


Foto: Divulgação/SAA-SP

As tensões no Oriente Médio voltaram a aumentar a cautela no mercado internacional de fertilizantes, com impactos distintos entre os principais produtos utilizados na agricultura brasileira. Segundo o Agro Mensal de setembro, da Consultoria Agro do Itaú BBA, os nitrogenados ganharam suporte diante das preocupações com logística e abastecimento, enquanto os fosfatados passaram a registrar pressão com a demanda doméstica mais contida. No mercado de potássicos, o quadro permanece mais estável.

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O aumento das tensões também levou o petróleo Brent a superar US$ 108 por barril na semana analisada pelo relatório. Embora a valorização do petróleo não implique aumento proporcional dos custos dos nitrogenados, o movimento amplia a preocupação com possíveis interrupções logísticas, elevação dos fretes e restrições de oferta em importantes corredores marítimos.

Nesse contexto, os preços dos nitrogenados avançaram no mercado brasileiro. A ureia está cotada a US$ 468 por tonelada no CFR Brasil, enquanto o sulfato de amônio chega a US$ 242,50 por tonelada.

Apesar da valorização, as compras brasileiras desses produtos diminuíram nos primeiros oito meses do ano. As importações de ureia somaram 2,8 milhões de toneladas entre janeiro e agosto, queda de 23% em relação ao mesmo período de 2025. No sulfato de amônio, o volume importado recuou 13%, para 3,3 milhões de toneladas.

Demanda menor pressiona MAP O movimento é diferente entre os fosfatados. De acordo com o Itaú BBA, as compras de fertilizantes para a safra de verão estão praticamente concluídas nas principais regiões consumidoras para os produtos nitrogenados e potássicos.

Foto: Claudio Neves/Portos Paraná

Ainda há, porém, volumes relevantes de fosfatados a serem adquiridos por consumidores do Sul e do Sudeste. A demanda mais fraca nessas regiões tem contribuído para a queda das cotações do MAP no mercado brasileiro.

O MAP está negociado a US$ 838 por tonelada no CFR Brasil. Entre janeiro e agosto, as importações do produto chegaram a 1,98 milhão de toneladas, volume 18% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.

No mercado internacional, por outro lado, os preços permanecem mais firmes. No Golfo, o MAP está cotado a US$ 795 por tonelada, segundo o relatório.

A diferença entre os movimentos dos nitrogenados e fosfatados reflete, portanto, fatores distintos. Enquanto a preocupação com logística e abastecimento dá sustentação aos nitrogenados, a demanda doméstica mais contida limita os preços dos fosfatados no Brasil.

Potássio tem mercado mais confortável Entre os potássicos, o mercado apresenta comportamento mais estável. O cloreto de potássio (KCl) está negociado a US$ 365 por tonelada no CFR Brasil.

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As importações chegaram a 9,8 milhões de toneladas entre janeiro e agosto, queda de 3% na comparação com os oito primeiros meses de 2025.

Com as compras da safra de verão próximas da conclusão nas principais praças consumidoras, especialmente para nitrogenados e potássicos, o comportamento dos preços passa a depender também do ritmo de reposição e das condições do mercado internacional.

No caso dos nitrogenados, a escalada das tensões no Oriente Médio mantém o mercado atento a possíveis impactos sobre rotas marítimas, fretes e disponibilidade. Para os fosfatados, a demanda brasileira segue como um dos principais fatores de pressão sobre as cotações, enquanto os potássicos permanecem em uma trajetória mais estável.



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