Número de consumidores abusivos de álcool deve crescer no Brasil, enquanto tabagismo tende a cair, aponta estudo

CVNEWS/REDAçãO


Projeções que mais preocupam são aquelas relacionadas à obesidade e ao consumo de ultraprocessados, dizem os pesquisadores - Scott Semler/NYT

O Brasil caminha para não atingir a maior parte das metas de controle das doenças crônicas não transmissíveis até 2030. A conclusão é de um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo , que será publicado na edição de agosto da revista científica The Lancet Regional Health Americas .

Segundo a pesquisa, enquanto o tabagismo e o consumo de bebidas açucaradas apresentam tendência de queda, indicadores ligados à obesidade, diabetes, hipertensão e consumo abusivo de álcool seguem em crescimento e devem piorar até o final da década.

As projeções indicam que, até 2030, quase um terço da população brasileira estará obesa, mais de 10% dos brasileiros terão diabetes e mais de um quarto conviverá com hipertensão arterial. Já o consumo abusivo de álcool deve subir de 18,8% para 21,3%, com crescimento mais acentuado entre as mulheres.

O levantamento mostra ainda que as doenças crônicas não transmissíveis já são responsáveis por mais de 54% das mortes anuais no país. Quase 40% desses óbitos ocorrem entre pessoas de 30 a 69 anos, sendo considerados prematuros.

Entre as principais causas de morte estão diabetes, doenças cardiovasculares, diferentes tipos de câncer e doenças respiratórias. Além dos impactos na saúde, essas doenças reduzem a qualidade de vida e geram gastos contínuos com medicamentos e tratamentos.

O estudo utilizou dados do Vigitel, pesquisa telefônica anual do Ministério da Saúde, analisando informações de cerca de 643 mil adultos das 26 capitais brasileiras e do Distrito Federal entre 2009 e 2023.

Os pesquisadores destacam que um dos cenários mais preocupantes está relacionado à obesidade e ao consumo de alimentos ultraprocessados. Mesmo com a meta oficial sendo apenas conter o avanço da obesidade, a projeção aponta aumento significativo nos próximos anos.

De acordo com os autores, o consumo de ultraprocessados é um dos principais fatores associados ao crescimento da obesidade no Brasil. Eles defendem políticas públicas mais rígidas, como tributação adequada, melhor rotulagem dos produtos e ações integradas de conscientização.

Por outro lado, o consumo regular de refrigerantes e sucos artificiais deve cair para 3,2% até 2030, índice considerado melhor do que a meta estabelecida pelo governo federal.

Outro dado positivo apontado pela pesquisa é a redução do tabagismo. A expectativa é que o percentual de fumantes caia de 9,8% em 2019 para cerca de 4,7% em 2030, resultado atribuído às políticas públicas de combate ao cigarro implementadas nas últimas décadas.

Apesar disso, pesquisadores alertam para o crescimento do uso de cigarros eletrônicos, considerado um novo desafio para as políticas de controle do tabaco.

O estudo também aponta aumento da prática de atividades físicas, embora em ritmo insuficiente para atingir as metas previstas até 2030. Já o consumo de frutas e hortaliças continua abaixo do recomendado para a maior parte da população brasileira.

O Ministério da Saúde informou que segue monitorando os hábitos da população e destacou investimentos em programas de incentivo à atividade física e promoção da saúde.



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