Agronegócios
Dependência da China e tensão em Taiwan colocam agro de MS em alerta
Cerca de 81,5% da soja exportada pelo Estado segue para o mercado chinês
REDAçãO
A tensão na Ásia envolvendo Taiwan e a forte dependência da China colocam o agronegócio de Mato Grosso do Sul em alerta. Informativo econômico da Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul) aponta preocupação do setor produtivo diante do aumento da instabilidade entre China, Taiwan e Estados Unidos.
O principal ponto de atenção é a elevada concentração das exportações de soja sul-mato-grossense no mercado chinês. Apenas no primeiro quadrimestre de 2026, Mato Grosso do Sul exportou 2,807 milhões de toneladas da commodity, com receita de US$ 1,158 bilhão. Desse total, 81,5% do volume, equivalente a 2,288 milhões de toneladas, e 81,2% do faturamento, cerca de US$ 941,2 milhões, tiveram a China como destino.
Segundo a Aprosoja/MS, embora a indefinição sobre o fornecimento de soja dos Estados Unidos à China possa favorecer o Brasil no curto prazo, a elevada dependência do mercado chinês amplia a exposição do agro sul-mato-grossense a crises geopolíticas e oscilações no comércio internacional.
O relatório destaca que, no recente encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, em Pequim, no dia 13 de maio, houve mais simbolismo do que resultados práticos em temas como a ampliação das compras chinesas de soja norte-americana e, principalmente, a questão envolvendo Taiwan.
A Aprosoja/MS ressaltou que o governo chinês voltou a demonstrar insatisfação com o apoio militar dos Estados Unidos à ilha, principalmente após novas sinalizações de fornecimento de armamentos e cooperação estratégica por parte dos norte-americanos. Como resposta, a China intensificou exercícios militares e operações de pressão ao redor de Taiwan, ampliando o risco geopolítico na região.
Taiwan possui relevância estratégica global por concentrar grande parte da produção mundial de semicondutores avançados, fundamentais para setores como tecnologia, indústria automobilística, telecomunicações e equipamentos eletrônicos. Além disso, a ilha está localizada em uma das rotas marítimas mais importantes do comércio internacional.
Além da dependência das exportações de soja, o levantamento destaca que o Brasil também depende da importação de fertilizantes e insumos agrícolas ligados ao comércio internacional asiático. Entre os principais fornecedores estão Canadá (14%), Rússia (14%) e China (12%).
Segundo a análise da Aprosoja/MS, mesmo sem um conflito direto, um agravamento das tensões na região pode provocar aumento do frete marítimo, valorização do dólar e elevação nos preços de fertilizantes, defensivos agrícolas e combustíveis utilizados no campo.
Para o setor produtivo, o principal temor é que uma escalada das tensões provoque aumento estrutural dos custos logísticos e dos insumos agrícolas justamente em um momento de elevada dependência do mercado chinês para o escoamento da soja sul-mato-grossense.
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