Pecuária de pequenos animais deve crescer cerca de 55% no Brasil até 2030, aponta FGV Agro

Projeções indicam expansão de rebanhos, aumento no consumo e pressão sobre emissões em um cenário de crescimento econômico moderadoar no Telegram(abre em nova janela) Telegram

OPR


Foto: Shutterstock

A pecuária de pequenos animais no Brasil deve registrar crescimento expressivo até 2030, com expansão dos rebanhos, aumento da produção e maior consumo interno. Estudo do FGV Agro projeta que o país poderá alcançar 53,2 milhões de suínos, 18,1 milhões de caprinos e 28,7 milhões de ovinos, o que representa altas de 31%, 55% e 44%, respectivamente, em relação a 2019.

O crescimento está associado a um ambiente econômico mais favorável, com expectativa de crescimento do PIB real e inflação mais controlada. Esse cenário tende a impulsionar tanto a produção quanto a demanda por proteína animal. “As projeções mostram que o crescimento da pecuária está diretamente ligado ao comportamento da economia e ao aumento do consumo das famílias', afirma a pesquisadora do FGV Agro, Janaína Ferreira Guidolini.

Pelo lado da oferta, a produção de suínos deve crescer mais de 10%, enquanto caprinos e ovinos avançam em ritmo próximo. A agroindústria acompanha esse movimento, com expansão prevista no processamento de carnes e na indústria de rações, base para sustentar o aumento dos rebanhos.

Pesquisadora do FGV Bioeconomia e do FGV Agro e idealizadora da Accessible Science, Janaína Ferreira Guidolini: “As projeções mostram que o crescimento da pecuária está diretamente ligado ao comportamento da economia e ao aumento do consumo das famílias' – Foto: Arquivo pessoal

O estudo aponta que o consumo também deve crescer, com aumento mais intenso para carnes de caprinos e ovinos, seguido por produtos suínos e itens processados. A dinâmica reflete maior renda e mudanças graduais nos hábitos alimentares.

A distribuição geográfica mantém padrões consolidados. A produção de suínos segue concentrada na região Sul, enquanto caprinos e ovinos permanecem fortemente presentes no Nordeste. Ao mesmo tempo, estados com menor tradição começam a registrar crescimento acelerado, indicando possível diversificação territorial da atividade.

A análise foi construída com base em um modelo de equilíbrio geral computável, que simula interações entre produção, consumo, preços e comércio. De acordo Janaína, a abordagem permite avaliar efeitos encadeados na economia. “O modelo mostra que o crescimento da pecuária não ocorre de forma isolada, mas impacta toda a cadeia, desde insumos até o consumo final', ressalta.

O estudo também destaca que a expansão produtiva ocorre paralelamente ao aumento das emissões de gases de efeito estufa, o que coloca a sustentabilidade como variável central para o setor nos próximos anos.



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