Nome de médico é usado em receitas falsas para compra de substâncias ligadas à produção de drogas

O médico teve o nome e dados pessoais utilizados em receita para manipulação de medicamento associado à drogas alucinógenas

CORREIO DO ESTADO / KARINA VARJãO


Nome de médico é usado em receitas falsas para compra de substâncias ligadas à produção de drogas - Divulgação

Um médico de Campo Grande procurou a Polícia Civil após descobrir que teve o nome usado em receitas falsas para obtenção de medicamentos controlados.

A denúncia partiu do pneumologista Henrique Ferreira Brito, que relatou às autoridades que terceiros utilizaram seu nome, número de registro médico, assinatura e timbre da clínica onde atua para emitir um receituário fraudulento. 

Ele foi alertado por uma mulher que afirmou que o amigo de seu filho havia jogado o frasco no lixo de sua casa. Ela encontrou o vidro com os dados no frasco adulterados, somente com o paciente identificado como “Sra. Maria”. 

A solução foi preparada pela empresa Pharmacêutica PH e continha Fosfato de Codeína 10mg/ml e solução de Cloridrato de Prometazina 6,25 mg. O resultado da combinação é um xarope utilizado para o alívio temporário de tosse seca e sintomas de alergias e resfriados. 

No entanto, o medicamento também continha 7% de álcool líquido. A combinação dos três fatores está associada ao abuso de substâncias, conhecido como “Purple Drank”, que pode reduzir a frequência respiratória a níveis perigosos, causando parada respiratória e morte. 

A mulher entrou em contato com o pneumologista para saber quem era a paciente em questão e a proximidade dela com seu filho. Foi aí que a clínica notou algo errado e averiguou que a paciente em questão nunca fez consulta na clínica, tão pouco a fórmula havia sido receitada pelo médico. 

Por ser um medicamento controlado, a farmácia foi intimada a fornecer a receita retida para liberação do remédio.

Assim, Henrique constatou que o documento, embora trouxesse dados reais pessoais, não seguia o padrão utilizado por ele e apresentava inconsistências, indicando que havia sido produzido por outra pessoa, com o objetivo de simular autenticidade. 

Ao formalizar o boletim de ocorrência, o médico afirmou que desconhece completamente da receita e da assinatura nela contida, alegando ser vítima de falsificação de documento e falsidade ideológica.

Ele também destacou preocupação com o uso indevido de seus dados profissionais, que pode comprometer sua reputação como médico e facilitar práticas ilegais. 

Com a abertura do inquérito, a Polícia Civil passou a investigar a origem do documento e identificar os responsáveis. 

Entre as medidas adotadas estão a solicitação da via original da receita à farmácia de manipulação responsáveis pelo medicamento, além da identificação de quem encomendou e retirou o medicamento. 

Na receita, consta o nome Maria Edelma Santos de Oliveira, bem como um número de telefone que pode ter sido utilizado no esquema. 

Purple Drunk

A “Purple Drank”, também conhecida como Lean, é uma droga recreativa à base de xarope da codeína, muitas vezes misturada com remédios anti-histamínicos, que causa efeitos de euforia e adrenalina. 

Geralmente, ela é feita a partir da junção da codeína e da prometazina com refrigerantes, como o Sprite, e balas de gomas.

A codeína provoca relaxamento, enquanto a prometazina causa um forte efeito sedativo. Quando consumida em excesso, a droga pode causar alucinações, desequilíbrio e convulsões, podendo levar à morte. 

A Purple Drunk tem efeitos similares ao do álcool, mas sem os efeitos típicos de ressaca. Assim, a mistura é popular em festas e encontros sociais, bebido em grande quantidade, o que aumenta os perigos, levando rapidamente à dependência. 

No Brasil, a Codeína é classificada pela Anvisa como entorpecente, sendo a venda ilegal sem receita médica. 



COMENTÁRIOS