Policial
Mulher é acusada de racismo religioso após chamar rito de matriz africana de 'putaria' e 'maldição'
DOURADOSNEWS
O Comafro (Conselho Municipal de Defesa e Desenvolvimento dos Direitos Afro-brasileiros) registrou na Polícia Civil uma denúncia de racismo religioso, que teria sido praticado através das redes sociais por uma dona de casa, de 57 anos, moradora do Conjunto Residencial Monte Carlo, em Dourados.
O presidente do Conselho que também é investigador de polícia lotado na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário), Ailson do Carmo de Souza foi quem fez a denúncia após ser procurado por membros da entidade.
A postagem 'printada' e anexada no Boletim de Ocorrência, é de um comentário feito em uma publicação que mostra um ato de celebração em homenagem ao Dia de Iemanjá (2 de fevereiro), na página de um líder de religião de matriz africana. No texto, a mulher teria feito referência ao ato religioso como “putaria” e “maldição”, dizendo que deveriam pedir perdão a Deus.
Ao registrar a ocorrência, o presidente do Comafro relatou que não se trata de 'mero proselitismo religioso', ou seja, o esforço de converter outros a uma determinada fé. Isso porque os termos usados seriam considerados “manifestação de desprezo e ódio”.
Ainda conforme a ocorrência, o conselho relatou que atos semelhantes tem se tornado mais frequentes nos últimos anos e, por isso, “carecem de ação eficaz e célere das autoridades para a garantia dos direitos constitucionais destas minorias sociais”.
Na página do Comafro em rede social, o presidente publicou um vídeo relatando o registro da ocorrência, em que diz que “ninguém precisa ofender outra religião para reafirmar a sua. É só respeitar. Nós vivemos numa sociedade plural, numa sociedade onde existem pessoas que pensam de maneira diferente e que creem de maneira diferente. É só respeitar. Nós do Comafro estamos aqui presentes. Se for necessário, vamos registrar e nesse caso aqui vamos para cima, vamos cobrar”.
O caso foi registrado na Depac como: praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, por intermédio dos meios de comunicação social, de publicação em redes sociais, da rede mundial de computadores ou de publicação de qualquer natureza. A investigação ficará a cargo do 1º Distrito Policial.
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