Pecuária
Mercado interno deve limitar alta de preços na pecuária bovina
BRASILAGRO
Enquanto a redução da oferta deve dar suporte ao mercado, os valores elevados estimulam a migração para opções mais baratas, como o frango e o suíno.
O preço do boi gordo tende a se manter elevado em 2027, mas não deve se consolidar acima dos R$ 400 a arroba. Foi o que afirmou, nesta quarta-feira (4/11), o analista de mercado de proteínas do banco holandês Rabobank, Wagner Yanagizawa.
A principal razão é o comportamento do consumidor nacional. Enquanto a redução da oferta deve dar suporte ao mercado, os preços elevados estimulam a migração para opções mais baratas, como o frango e o suíno, limitando a valorização do produto bovino.
A previsão do Rabobank é de uma retração de 6,2% no consumo doméstico de carne bovina em 2027. O volume deve cair de 33,4 quilos para 31,4 quilos em média por habitante ao ano.
“O mercado futuro indica uma arroba acima dos R$ 400, o que é plausível. Deve ter picos de preço, mas, na média do ano, deve ficar abaixo disso, por causa do consumo local”, disse ele, durante evento de apresentação das projeções do banco para o agronegócio brasileiro.
Ele explicou que a oferta de animais para abate será a principal variável do mercado nos próximos meses. A expectativa do Rabobank é de uma redução de 3% na produção, de 11,3 milhões para 11 milhões de toneladas equivalente carcaça (TEC).
Pecuaristas estão renovando o estoque de fêmeas e há escassez de bezerros para reposição. “O El Niño é um ponto de atenção, por causa do período de engorda do gado. Se houver um veranico, pode ter limitação de oferta no primeiro trimestre”, disse o analista.
O Rabobank projeta um crescimento de 1,5% nas exportações brasileiras de carne bovina, de 4,43 milhões para 4,5 milhões de toneladas. Yanagizawa avaliou que o Brasil está em uma condição favorável no mercado internacional, porque consegue oferecer produto competitivo e com segurança.
Ele disse também que uma eventual abertura de mercados como Japão e Coreia do Sul pode trazer uma compensação ao embargo da União Europeia.
“Devemos ter oportunidades no sudeste da Ásia, onde a tendência é de aumento de consumo”, acrescentou, destacando que a redução da oferta também em nível global deve favorecer as vendas externas de carne bovina do Brasil.
Ele destacou que a reabertura da cota de exportação para a China ajuda a valorizar a carne bovina e o boi gordo. Mas, se o comportamento dos exportadores for semelhante ao de 2026, o movimento dos preços também pode se repetir: altas no começo e no fim do ano e baixa entre um período e outro.
Yanagizawa lembrou, no entanto, que há uma discussão dentro do setor e do governo sobre a possibilidade de o atendimento da cota ser escalonada ao longo dos meses, para evitar rupturas no mercado. A consequência seria uma curva de preços mais estável.
“Considerando que essa cota vai até 2028, a estratégia do governo chinês pode ser redução de tarifa ou aumento de cota. Estamos apostando em um aumento, o que, para o Brasil, seria 33 mil toneladas adicionais. É incipiente, mas em linha com o que estamos vendo”, disse (Globo Rural, 4/11/26)

