Justiça
Delegado e policiais viram réus por esquema de desvio de drogas
Ação do Gaeco foi deflagrada no dia 24 de setembro e juiz aceitou denúncia nesta semana
ANA PAULA CHUVA / CAMPO GRANDE NEWS
O Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul recebeu a denúncia criminal contra o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, onze policiais e mais 12 investigados na Operação Infiltrados, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). Com a decisão, o grupo passa a responder oficialmente como réu em ação penal que tramita em Campo Grande.
A investigação desarticulou uma organização criminosa estruturada dentro de órgãos de segurança pública do Estado. O bando é acusado de desvio de drogas apreendidas, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e narcotráfico. Ao aceitar a denúncia, o magistrado apontou a existência de elementos sólidos de autoria e materialidade dos crimes cometidos por cada um dos envolvidos.
O caso tramita em sigilo, mas o recebimento da denúncia foi publicado no Diário da Justiça desta quinta-feira (5).
Núcleo de Agentes Públicos - Hoffman ocupava a cúpula de comando, garantindo a chancela institucional e o embaraço de investigações para proteger o esquema. Augusto Torres Galvão Florindo, ex-policial civil, encarregado do rastreamento e repasse de drogas. Douglas Tobias, policial civil, que integrava o núcleo operacional voltado ao desvio de entorpecentes.
Luiz Carlos de Siqueira, policial civil encarregado do rastreamento e subtração de entorpecentes. Marcos André Santos Chaves, policial civil, integrante do núcleo operacional. Nelson Ricardo Barros de Oliveira encarregado de apreender e desviar drogas sob custódia oficial. Neverson Vieira de Araújo envolvido diretamente no desvio de drogas e recebimento de propina.
Nilton Cesar Sales dos Santos apontado como membro do núcleo operacional de desvio de entorpecentes. Roberto Palmeira da Silva atuava no desvio e repasse de cargas apreendidas em delegacias. Vitor Ribeiro Venâncio dos Santos, policial penal. Utilizava credenciais funcionais para consultar sistemas restritos e vazar dados sigilosos para 'LK'.
Lideranças e operadores financeiros - Lucas da Silva dos Santos, o 'LK', apontado como líder do núcleo e articulador das negociações de drogas desviadas pelos policiais. A companheira dele, Rayane Luiz era beneficiária de transferências financeiras vultosas para mascarar os lucros do narcotráfico.
Valdenice da Silva Gois, mãe de 'LK', atuava na circulação e lavagem do dinheiro ilícito. A irmã do traficante, Ana Carolina da Silva dos Santos atuava nas transações financeiras e ocultação de valores a mando de Lucas.
Jéssica da Silva dos Santos era responsável por movimentações financeiras para ocultar capital ilícito a mando de 'LK', assim como Lavínia Carvalho da Luz, e também o dono da garagem de veículos, apontado como responsável por lavar o dinheiro do tráfico.
Núcleo de Apoio e Logística - Eberthe Batista de Almeida, fornecia informações sobre cargas e auxiliava no armazenamento/comercialização da droga desviada. Kayon Lucas Leodoro da Silva, atuava no apoio logístico, fornecimento de informações de cargas e comércio de drogas.
Matheus Gabriel Machado Bezerra era responsável por auxiliar em transações financeiras e ocultação de capitais. Wesley Benite Matos Pereira Duarte dava apoio em informações de cargas, armazenamento de drogas e movimentação financeira ilícita. Já Carlos Alberto Alves Fonseca e Paulo Sérgio Alves Duartee estão foragidos.
Os policiais militares Alison Lemes Bezerra e Thiago Bezerra Laurentino também foram alvos da apuração inicial, mas tiveram seus autos remetidos à Auditoria Militar Estadual.
Operação Infiltrados - Deflagrada pelo Gaeco no dia 24 de setembro, a Operação Infiltrados desarticulou uma organização criminosa ramificada na segurança pública de Mato Grosso do Sul, especializada em desviar drogas apreendidas, receber propina, lavar dinheiro e abastecer o narcotráfico.
Na denúncia, Hoffman foi apontado como líder do esquema. Ele é acusado de usar o cargo institucional para chancelar as ações criminosas e criar barreiras para embaraçar investigações que pudessem atingir o bando.
Além do delegado, a investigação mira outros 11 policiais. Na Justiça comum, viraram réus 8 policiais civis encarregados de rastrear e subtrair os carregamentos, e 1 policial penal, que usava a senha do sistema restrito para vazar dados sigilosos aos traficantes.
Outros dois policiais militares também foram investigados pelas equipes do Gaeco. Como as condutas envolvem a esfera militar, os autos de ambos foram desmembrados e remetidos para processamento na Auditoria Militar Estadual.
No núcleo civil, o comando era de Lucas da Silva dos Santos, o 'LK'. Ele fazia a articulação direta com os policiais para receber a droga desviada e gerenciar a venda no mercado paralelo.
A estrutura contava com a mãe e a irmã de 'LK' para ocultar os bens. A companheira dele, Rayane Luiz Vieira, de 26 anos, teve a prisão preventiva substituída por domiciliar pela Justiça após o Gaeco revelar que ela recebeu R$ 314.308,40 em apenas cinco meses. Foram 46 transferências Pix feitas por outra investigada para lavar o dinheiro do tráfico.
Para dar aparência lícita aos lucros astronômicos do tráfico de drogas, a organização utilizava uma garagem de veículos. O estabelecimento era o principal motor de lavagem de capitais do grupo. O dono foi preso.
COMENTÁRIOS
LEIA MAIS

