Preço do milho fecha a R$ 68,53 por saca com baixa procura e vendedores mais flexíveis

Indicador recua 1,37% entre 28 de setembro e 2 de outubro. Compradores relatam estoques para consumo imediato e esperam maior oferta diante das exportações abaixo do ano passado.

BATANEWS/BATANEWS/OPR


Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

O milho encerrou o dia 2 de outubro cotado a R$ 68,53 por saca de 60 quilos no Indicador Esalq/BM&FBovespa, após registrar baixas em todas as sessões apresentadas pelo Cepea entre 28 de setembro e a última sexta-feira (02). Nesse intervalo, a referência recuou R$ 0,95 por saca, ou 1,37%, pressionada pelo baixo interesse dos compradores brasileiros e pela retração das cotações internacionais.

Parte dos compradores indica ter estoques suficientes para o consumo imediato e segue afastada da aquisição de novos lotes, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Com menor necessidade de reposição, esses agentes encontram espaço para adiar compras, enquanto produtores se mostram mais flexíveis tanto nos preços quanto nas condições comerciais.

Setembro termina com baixa de 2,22% A sequência de cotações mostra que a perda mais intensa ocorreu no fechamento de setembro. No dia 30, o indicador caiu 0,77%, passando de R$ 69,20 para R$ 68,67 por saca. Com esse resultado, a referência encerrou o mês com desvalorização acumulada de 2,22%.

As quedas continuaram nas duas primeiras sessões de outubro, mas em ritmo menor. No dia 1º, o recuo foi de 0,13%, para R$ 68,58. No dia 2, houve nova baixa de 0,07%, levando a cotação a R$ 68,53. O acumulado de outubro ficou negativo em 0,20%.

A desaceleração das perdas diárias, portanto, ainda não representou uma interrupção da trajetória de baixa. Na série apresentada, a cotação passou de R$ 69,48 em 28 de setembro para R$ 68,53 em 2 de outubro.

Exportações pesam na decisão de compra Além dos estoques disponíveis para consumo imediato, os compradores acompanham o desempenho das exportações brasileiras, que seguem inferiores às do ano passado, conforme o Cepea. Esses agentes avaliam que o menor escoamento externo possa ampliar a oferta no mercado doméstico.

Essa expectativa reforça a postura de espera: com milho disponível para atender às necessidades atuais e possibilidade de maior oferta adiante, compradores têm menos urgência para fechar novos negócios. A retração internacional também contribui para a pressão sobre os preços brasileiros.

O levantamento fornecido, contudo, não informa os volumes exportados nem a dimensão da diferença em relação ao ano anterior.

Produção recorde e maior flexibilidade A perspectiva de oferta é reforçada pela estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Segundo os dados informados, a produção brasileira de milho na safra 2025/26 deve atingir o recorde de 144 milhões de toneladas, apesar da redução da produtividade.

O volume total previsto e o rendimento das lavouras são medidas distintas: a queda de produtividade não impede, por si só, uma produção recorde. As informações disponíveis, porém, não detalham a área cultivada nem a contribuição de cada safra para esse resultado.

Do lado dos vendedores, o Cepea identifica maior flexibilidade nas negociações. As concessões envolvem valores, condições de entrega e prazos de pagamento. Assim, o ajuste à menor disposição de compra ocorre também nos termos dos contratos, além do preço por saca.



COMENTÁRIOS