Caneta em teste com mecanismo da tirzepatida alcança redução de peso de 15,5%

Em ensaio de fase 2, dose máxima de enicepatida também auxiliou no controle de diabetes de 90% dos voluntários em menos de um ano

VEJA / PAULA FELIX SEGUIR SEGUINDO


Um platô na perda de peso não foi atingido, ou seja, um período no qual a redução de gordura corporal se estabilizou e parou (Foto: VEJA SAÚDE/VEJA)

Candidata a caneta para o tratamento de diabetes 2 e obesidade, a substância enicepatida demonstrou capacidade de reduzir o peso em 15,5% em menos de um ano e controlar a glicemia de voluntários no mesmo período. A medicação em teste utiliza um mecanismo parecido com o do Mounjaro (tirzepatida), a união dos hormônios GLP-1 e GIP, e também deve ser administrada com injeções semanais.

Os dados do estudo clínico de fase 2 foram apresentados pela farmacêutica Roche, que testou a possível nova “caneta emagrecedora” em 447 adultos com diabetes 2 e sobrepeso ou com obesidade ao longo de 48 semanas.

Na dose máxima, de 24 gramas, foi alcançado o emagrecimento médio de 15,5%. Um platô na perda de peso não foi atingido, ou seja, um período no qual a redução de gordura corporal se estabilizou e parou.

A análise do medicamento em investigação também abordou o perfil de segurança. Os eventos adversos foram semelhantes aos observados em remédios da mesma classe: sintomas gastrointestinais leves a moderados. No grupo que estava sendo tratado com a enicepatida, a taxa de descontinuação foi de 2% ante 0% no grupo placebo.

“Essa molécula, ainda experimental, tem uma questão interessante da sinalização celular em relação ao tipo de proteína que ela recruta quando se liga ao receptor. Isso, talvez, possa melhorar a resposta em longo prazo e, com esse mecanismo, também dar um pouco menos de efeito colateral”, diz o endocrinologista Clayton Macedo, coordenador do serviço de Endocrinologia do Exercício da disciplina de medicina esportiva do Hospital São Paulo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Macedo explica que, embora tenha GIP e GLP-1, a medicação em estudo é diferente do Mounjaro, a tirzepatida, em função dessa proteína.

No momento, dois estudos de fase 3 estão em andamento para investigar o controle da obesidade, segundo a farmacêutica. Um ensaio também de fase 3 para verificar o manejo da glicemia e desfechos cardiovasculares está previsto para o primeiro semestre do próximo ano.

“Combinada com a perda de peso sustentada, a enicepatida oferece um perfil potencialmente ideal para o tratamento da doença, capaz de reduzir e prevenir complicações, além de melhorar a saúde metabólica de pessoas com diabetes tipo 2”, disse, em comunicado, Levi Garraway, diretor médico e chefe de desenvolvimento global de produtos da Roche.

Tratamento do diabetes

Para o tratamento do diabetes 2, a substância em teste levou à redução média de 2,65% da hemoglobina glicada (HbA1c), que corresponde à média dos níveis de açúcar no sangue ao longo de um período de tempo.

“É um dado surpreendente. Na dose mais alta, a hemoglobina glicada, que é um dos critérios que a gente mais valoriza, teve um resultado que, talvez, faça com que ela esteja entre as medicações mais potentes para o controle metabólico do diabetes”, afirma Macedo.

Uma análise mais aprofundada mostrou queda de 4,3% em pacientes com a HbA1c em níveis inadequados (maior que 8,5%).

Ao final do estudo, 90% dos pacientes que receberam a medicação atingiram a meta glicêmica mais restrita para quem vive com a doença (menor ou igual a 6,5%) e 62% alcançaram níveis normais (menor ou igual a 5,7%).



COMENTÁRIOS