Novo líder da ONU no Brasil coloca Agenda 2030 no centro da gestão

Igor Garafulic assumiu em junho a coordenação de 25 agências e cerca de 3,5 mil colaboradores e defende articulação entre governo, setor privado, academia e sociedade civil para cumprir os ODS.


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Com uma trajetória que combina diplomacia, economia e gestão pública, Igor Garafulic assumiu em junho a coordenação residente do Sistema das Nações Unidas no Brasil com a missão de fortalecer a implementação da Agenda 2030 no país. À frente de 25 agências e cerca de 3,5 mil colaboradores, o economista chileno defende que o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) depende da capacidade de reunir diferentes setores em torno de metas comuns.

Coordenador residente do Sistema das Nações Unidas no Brasil, Igor Garafulic: “Não dá para desenvolver um país só com o governo. Tem que participar a academia, o setor privado e, ao menos aqui no Brasil, temos muitas parcerias com a sociedade” – Foto: Isadora Ferreira/ONU

A chegada ao Brasil ocorre em um momento considerado decisivo para a chamada Década de Ação, período de intensificação dos esforços para cumprir os 17 ODS até 2030. Para Garafulic, o desenvolvimento sustentável não pode ser dissociado da redução das desigualdades e da preservação ambiental.

Experiência em diplomacia e gestão pública Mestre em Políticas Públicas pela Universidade de Oxford, Garafulic construiu parte de sua carreira no Sistema das Nações Unidas. Antes de assumir a representação no Brasil, liderou missões no Azerbaijão, Paraguai, Peru e Honduras e exerceu funções de gestão no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

No Chile, seu país de origem, foi governador da Região Metropolitana de Santiago e atuou como negociador de acordos comerciais internacionais.

A experiência em diferentes áreas da administração pública e da cooperação internacional chega agora ao Brasil em um cenário de desafios para o cumprimento das metas globais. A avaliação do novo coordenador é que crescimento econômico, inclusão social e proteção ambiental precisam caminhar de forma integrada.

Agenda 2030 como estratégia de desenvolvimento As crises dos últimos anos, como a pandemia de Covid-19 e os conflitos armados em diferentes regiões do mundo, afetaram o ritmo de

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implementação dos ODS. Ainda assim, Garafulic considera que a Agenda 2030 continua sendo uma referência para orientar políticas de desenvolvimento. “Não se idealizou estratégia melhor que a Agenda 2030. A gente não sabia que íamos ter Covid, que íamos ter guerras, do nível das guerras que existem agora no mundo, mas ainda como estratégia, a Agenda 2030 tem validez', afirmou.

Na avaliação do coordenador, o cumprimento das metas não depende exclusivamente dos governos. A participação de universidades, empresas e organizações da sociedade civil seria necessária para transformar os objetivos globais em ações concretas. “Não dá para desenvolver um país só com o governo. Tem que participar a academia, o setor privado e, ao menos aqui no Brasil, temos muitas parcerias com a sociedade. É isso que consegue o objetivo final, que é o desenvolvimento e não deixar ninguém para trás', frisou.

Brasil e apropriação dos ODS Nos primeiros meses à frente da representação da ONU no país, Garafulic também destaca a incorporação da Agenda 2030 por órgãos públicos brasileiros. Segundo ele, as visitas a ministérios e outras instituições federais mostraram que os ODS passaram a integrar a própria discussão sobre desenvolvimento. “Dá prazer chegar aos escritórios públicos e ver como os Ministérios se apropriaram da Agenda 2030, adotando-a como sua própria agenda de desenvolvimento', ressaltou.

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Para o coordenador, essa abordagem amplia a compreensão sobre o que significa desenvolver um país. “Já temos a clareza de que desenvolvimento não é apenas crescimento, mas uma estratégia global para reduzir disparidades', enfatizou.

Articulação para acelerar as metas O desafio, agora, é transformar o alinhamento em resultados até 2030. Para isso, Garafulic aposta na articulação entre governo, setor privado, universidades e sociedade civil.

A estratégia coloca a construção de parcerias no centro da atuação da ONU no Brasil. A proposta é aproximar as metas estabelecidas globalmente das prioridades nacionais e ampliar a cooperação entre os diferentes atores envolvidos no desenvolvimento sustentável.

Com experiência em negociação, gestão pública e cooperação internacional, Garafulic inicia sua gestão no país defendendo que a Agenda 2030 continue como referência para políticas capazes de combinar desenvolvimento econômico, redução das desigualdades e preservação ambiental.



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