Economia
Sindicatos perdem quase 50% dos associados em MS, enquanto cooperativas crescem
Proporção de trabalhadores sindicalizados caiu de 14,5% para 6% entre 2012 e 2025
CGNEWS
Mato Grosso do Sul registrou uma forte redução na quantidade de trabalhadores ocupados associados a sindicatos ao longo dos últimos 13 anos. Entre 2012 e 2025, o número caiu de 170 mil para 88 mil pessoas, uma redução de 82 mil trabalhadores, ou 48,2%, segundo os dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira (22).
A queda também aparece na proporção de trabalhadores sindicalizados entre as pessoas de 14 anos ou mais ocupadas na semana de referência. O percentual passou de 14,5% em 2012 para 6,0% em 2025, recuo de 8,5 pontos percentuais.
Os dados fazem parte do levantamento do IBGE sobre características adicionais do mercado de trabalho e mostram, além da redução da sindicalização, uma movimentação diferente entre trabalhadores por conta própria e empregadores: depois de dois anos de estabilidade, a participação dos associados a cooperativas de trabalho ou de produção voltou a crescer em Mato Grosso do Sul.
Queda atinge homens e mulheres - A redução da associação sindical ocorreu tanto entre os homens quanto entre as mulheres.
Entre os trabalhadores do sexo masculino, a proporção de associados a sindicatos caiu de 15,2% em 2012 para 6,1% em 2025. Em números absolutos, eram 106 mil homens associados no início da série e 50 mil em 2025, uma redução de 56 mil pessoas, equivalente a 52,8%.
Entre as mulheres, o percentual passou de 13,4% para 5,8% no mesmo período. O número de associadas caiu de 64 mil para 37 mil, redução de 27 mil trabalhadoras, ou 42,2%.
A diferença entre os sexos também mudou ao longo da série. Em 2012, a proporção de homens associados era de 15,2%, enquanto a das mulheres era de 13,4%. Em 2025, os percentuais ficaram mais próximos: 6,1% entre os homens e 5,8% entre as mulheres.
Cooperativas têm movimento diferente - Enquanto a associação sindical apresentou queda contínua no período analisado, a participação de empregadores e trabalhadores por conta própria associados a cooperativas apresentou uma recuperação no último ano.
Em 2025, Mato Grosso do Sul tinha 389 mil pessoas nessa condição ocupacional. Desse total, 19 mil estavam associadas a cooperativas de trabalho ou de produção, o equivalente a 4,8%.
O percentual representa uma alta em relação a 2024, quando a proporção era de 4,2%. O avanço ocorreu depois de dois anos de estabilidade nesse indicador.
Apesar do crescimento mais recente, o percentual de 2025 ainda ficou abaixo do registrado no início da série. Em 2012, havia 275 mil empregadores ou trabalhadores por conta própria no Estado, dos quais 16 mil eram associados a cooperativas. Naquele ano, a participação chegava a 5,9%.
Em 2015, eram 365 mil pessoas nessa categoria ocupacional e 15 mil associadas a cooperativas, o equivalente a 4,2%.
Assim, embora o número absoluto de pessoas associadas a cooperativas tenha aumentado de 16 mil em 2012 para 19 mil em 2025, a proporção dentro desse grupo caiu de 5,9% para 4,8%, porque o total de empregadores e trabalhadores por conta própria também cresceu.
A comparação mais recente, porém, mostra uma mudança de trajetória. Entre 2024 e 2025, a participação subiu de 4,2% para 4,8%.
MS fica em 10º no ranking nacional - Considerando as Unidades da Federação, Mato Grosso do Sul ocupou a 10ª posição em 2025 na proporção de empregadores e trabalhadores por conta própria associados a cooperativas, com 4,8%.
O maior percentual foi registrado no Rio Grande do Sul, onde 8,7% das pessoas nessa condição estavam associadas a cooperativas. Santa Catarina apareceu em seguida, com 7,8%.
Na outra ponta, o Distrito Federal teve o menor percentual entre as Unidades da Federação, com 2,4%.
Os números mostram, portanto, movimentos distintos nas duas formas de organização analisadas pelo levantamento. A associação sindical perdeu participação de forma expressiva entre os trabalhadores ocupados de Mato Grosso do Sul ao longo de 13 anos, enquanto a associação a cooperativas, embora ainda esteja abaixo do nível observado em 2012, apresentou recuperação no intervalo mais recente.
COMENTÁRIOS

