Pecuária
Veto da União Europeia ameaça travar US$ 2 bi das exportações do agro
A União Europeia suspendeu a importação de produtos de origem animal do Brasil, decisão que entra em vigor hoje (3/9) e ameaça US$ 2 bilhões em vendas.
BATANEWS/BATANEWS/AGROIN
A União Europeia efetivou a suspensão das compras de produtos de origem animal vindos do Brasil. O bloqueio atinge diretamente os embarques de carne bovina, carne de aves, ovos, mel e pescados. A restrição decorre da ausência de comprovação de controle sobre a aplicação de medicamentos antimicrobianos nas linhas de produção nacionais.
As normas europeias proíbem substâncias utilizadas para estimular o crescimento animal ou tratamentos com compostos destinados à medicina humana. A regulamentação busca conter a resistência bacteriana. Embora o comunicado sobre a norma tenha ocorrido em 2017, a fiscalização efetiva começou neste mês.
Destaque: O prejuízo financeiro com o encerramento temporário dos embarques pode alcançar quase US$ 2 bilhões no período de um ano.
A intervenção direta do Palácio do Planalto e as negociações conduzidas por diplomatas não alteraram a postura do bloco econômico. A lista de países autorizados foi modificada, retirando as habilitações brasileiras para os itens citados.
Para a pecuária de corte, as projeções indicam maior gravidade. A adequação das propriedades ao protocolo privado homologado pelo Ministério da Agricultura exige o rastreamento do animal desde o nascimento até o abate. Como o ciclo produtivo exige cerca de dois anos, a retomada do comércio com os europeus pode ocorrer apenas em 2028.
O governo tentou estabelecer um período de transição comercial enquanto as fazendas adaptavam a gestão de insumos sanitários, mas o pedido recebeu negativa em Bruxelas. O Ministério da Agricultura apontou a lentidão na criação de mecanismos privados de segregação como fator determinante para o impasse.
O cenário para a carne de frango apresenta prazos mais curtos. Auditores europeus cumprem agenda de inspeção em instalações brasileiras para avaliar a nova camada de fiscalização implementada em julho. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) sinalizou que os frigoríficos atendem aos padrões exigidos.
A expectativa do setor produtivo reside na reunião do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da Comissão Europeia, agendada para novembro, quando o acesso ao mercado poderá ser reavaliado.
Destaque: Entre janeiro e julho, o volume de frango enviado à Europa cresceu 73,4% ante 2025, formando estoques que evitam desabastecimento imediato em setembro.
O aumento recente nos embarques de aves visou a formação de reservas preventivas pelos compradores europeus. O bloco aceitará os lotes que receberam certificação sanitária até 2 de setembro, reduzindo o impacto comercial imediato nas indústrias avícolas.
Diante do bloqueio, o governo estuda aplicar o princípio de reciprocidade contra produtos europeus, atingindo as importações de azeites e derivados do leite. O acionamento de painéis na Organização Mundial do Comércio (OMC) e o uso das cláusulas do acordo entre Mercosul e União Europeia também figuram entre as alternativas de resposta.
Para as demais cadeias, as perdas financeiras possuem menor representatividade. Os embarques de ovos para o continente europeu somaram 239 toneladas desde a abertura do mercado em abril. Os pescados já enfrentavam restrições desde 2018 por pendências em embarcações, e a indústria apícola busca regularização no mesmo processo de auditoria aplicado às aves.
As negociações permanecem no campo diplomático, com o envio de correspondências oficiais à Comissão Europeia para tentar reverter a suspensão do frango e do mel ainda no decorrer deste ano.
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