Saúde
Mais barato e 2 em 1, novo remédio para diabetes deve chegar em breve às farmácias
Genérico que combina dois princípios ativos ganha aprovação da Anvisa e promete ampliar acesso ao tratamento
VEJA / CARLOS EDUARDO BARRA COURI SEGUIR SEGUINDO
A aprovação do primeiro genérico que combina dapagliflozina e metformina para diabetes tipo 2 é uma boa notícia por dois motivos: pode baratear o tratamento e facilitar a vida de quem precisa tomar medicamentos todos os dias.
Segundo a Anvisa, que aprovou o registro, o produto é equivalente ao Xigduo XR, medicamento de referência, e os genéricos devem custar pelo menos 35% menos que os remédios de marca.
A metformina é uma das bases do tratamento do diabetes tipo 2. Já a dapagliflozina faz parte dos inibidores de SGLT2, classe que ajuda os rins a eliminar o excesso de glicose pela urina. Mas o benefício desse grupo vai além do açúcar no sangue.
Estudos importantes mostram que a dapagliflozina pode reduzir o risco de piora da insuficiência cardíaca, proteger os rins, retardar a progressão da doença renal crônica e diminuir desfechos graves, como internações e morte cardiovascular, em pacientes com indicação adequada. Por isso, o tratamento atual do diabetes não olha apenas para a glicemia: ele considera também coração, rins, pressão, colesterol, idade e outras doenças associadas.
Hoje, esses medicamentos já existem de forma separada no sistema público. A metformina XR está disponível pelo Farmácia Popular, e a dapagliflozina também é ofertada no programa para pessoas a partir de 65 anos, além de estar disponível no SUS para perfis específicos de pacientes.
Então por que a combinação fixa importa? Porque juntar dois princípios ativos em um único comprimido reduz a complexidade do tratamento. Isso é especialmente relevante para pessoas idosas, que muitas vezes já usam remédios para diabetes, pressão alta, colesterol, coração e rins. Quanto mais comprimidos e horários, maior o risco de esquecimento, confusão ou abandono parcial da terapia.
Esse não é um detalhe pequeno. Estudos mostram que combinações em dose fixa melhoram a adesão quando comparadas a esquemas com os mesmos remédios tomados separadamente. Em doenças crônicas, o melhor tratamento não é apenas o mais eficaz no papel, mas aquele que a pessoa consegue seguir na vida real.
Esse conceito está cada vez mais presente no cuidado do diabetes, da hipertensão e do colesterol alto: quando há indicação médica, combinar medicamentos na mesma cápsula ou comprimido pode aumentar o engajamento, simplificar a rotina e melhorar o controle das doenças ao longo do tempo.
A chegada do genérico de dapagliflozina + metformina, portanto, representa mais do que uma nova opção na farmácia. Ela reforça uma mudança importante na medicina: tratar o diabetes tipo 2 é também proteger órgãos vitais, reduzir riscos futuros e tornar o cuidado mais acessível, prático e sustentável para quem vive com a doença. Quando uma versão genérica é aprovada, abre-se a possibilidade de ampliar o acesso a terapias antes restritas a quem podia pagar mais.
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