Não se iludam: acordo sobre “tarifaço' entre Trump e Lula ainda está longe de acontecer

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Foto: Divulgação

Os últimos acontecimentos envolvendo as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos reacenderam as especulações sobre um possível acordo em torno das tarifas aplicadas a produtos brasileiros. Apesar do clima de expectativa, especialistas alertam: um entendimento entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o norte-americano Donald Trump ainda está distante de se concretizar.

Nos últimos dias, Trump reforçou publicamente sua política de proteção à indústria americana, uma medida que pode atingir diretamente setores estratégicos do Brasil, como o agrícola e o siderúrgico. Em discurso, o republicano não poupou críticas:

“O Brasil agora enfrenta tarifas pesadas em resposta aos seus esforços sem precedentes para interferir nos direitos e liberdades dos nossos cidadãos americanos e de outros, com censura, repressão, corrupção judicial e perseguição de críticos políticos nos Estados Unidos (...). O Brasil tarifou injustamente nossa nação, mas agora, por causa das nossas tarifas, estamos revidando com força. Lamento dizer: o Brasil está indo mal e continuará indo mal. Eles só conseguem se sair bem quando trabalham conosco.” Apesar do tom duro, Trump também fez acenos diplomáticos a Lula, lembrando que ambos trocaram um breve cumprimento em evento internacional. “Nós conversamos por uns 20 segundos. Gostei dele, ele parece um cara legal. Tivemos uma química excelente. Eu só faço negócios com pessoas de quem eu gosto”, disse o republicano, acrescentando que pretende se reunir com o presidente brasileiro em breve.

Do lado brasileiro, Lula tem defendido diálogo e cooperação mútua. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, há espaço para negociação:

“O companheiro Trump parece que gostou do companheiro Lula, teve uma química, e vai começar a conversar e falar de coisas que realmente importam, que são integração econômica, investimentos mútuos e parcerias”, afirmou durante o Congresso de Direito Tributário do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP). Haddad também destacou que os Estados Unidos já começaram a reconhecer os efeitos negativos do chamado “tarifaço”. “Agora eles estão pagando caro pelo café, pela carne, pelos produtos brasileiros. Tanto que abriram quase 700 exceções para reduzir o impacto econômico dessas sobretaxas”, afirmou.

Ainda assim, a conjuntura internacional não favorece avanços rápidos. O governo norte-americano tem priorizado sua agenda interna, e as pressões de setores econômicos locais tornam improvável qualquer flexibilização no curto prazo.

Enquanto isso, produtores e empresários brasileiros seguem apreensivos com os efeitos da sobretaxa, que ameaça reduzir a competitividade do país no mercado americano.

A mensagem, portanto, é clara: não se iludam. Embora declarações públicas possam soar como sinal de aproximação, a distância entre as duas nações em termos de interesses comerciais e estratégicos segue maior que os pontos de convergência.



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