Esportes
Filho de ex-Fluminense, alemão-brasileiro se destaca no Werder Bremen e mira futebol brasileiro
Leonardo Bittencourt, de 31 anos, fala em entrevista ao ge que acompanhava partidas do Flamengo nas férias e não descarta saída da Alemanha: "Seria legal conhecer outra coisa"
GLOBOESPORTE.COM / RAFAEL BIZARELO
Leonardo Bittencourt é o nome do camisa 10 do Werder Bremen. Alemão e com muitos anos de experiência na Bundesliga, ele surpreende quando solta o sotaque carioca. Léo é filho de Franklin, ex-Fluminense e Bragantino, jogador que passou onze temporadas no futebol alemão. Em entrevista ao ge, o alemão-brasileiro do Bremen mostra ansiedade para a partida das quartas de final Copa da Alemanha desta terça-feira, e abre portas para o futebol brasileiro.
Nascido na Alemanha, Leonardo passava férias no Brasil, onde jogava futebol na praia e no salão. O passeio com os primos era ir ao Maracanã para assistir jogos do Flamengo. Ele brinca que a família se divide: alguns querem que ele vá jogar no futebol brasileiro, mas outros preferem poupar o estresse.
- Um lado quer que jogue lá (no Brasil), mas não no time deles. Falam: "Léo, tu é meu primo, é família, mas se fizer m... vou te xingar". Tem os dois lados. Eles iam gostar também ter por perto um time que joga futebol, ainda mais no time que torcem. Tem bastante flamenguista. Seria legal, mas nunca se sabe. Joguei minha vida toda na Alemanha. Tenho 31 anos, mas quem sabe... em um ou dois anos, quando meu contrato vence, esteja na hora de tentar outro país. No futebol nunca se sabe, mas estou bem aqui, gosto bastante. Para mim seria legal conhecer outra coisa - disse o meia.
- Brasil é o país que meus pais nasceram, que minha família mora. Sou brasileiro, ué. Nasci na Alemanha, mas em casa a gente só fala português. Mentalidade é do Brasil. Do outro sou alemão. Sempre vivi aqui na Alemanha. Ia para o Brasil para passar férias. Treinava na praia, no salão com meus primos, mas categoria de base foi na Alemanha.
A paixão pelo futebol veio do pai, Franklin. Revelado pelo Fluminense, ele jogou no Bragantino e no Sport até se mudar para a Alemanha em 1992, onde ficou até o fim da carreira.
- Meu pai sempre está do meu lado. Vem ver todos os jogos. Ele viveu isso tudo como jogador na Alemanha. Sempre me apoiou, mas também criticou bastante. É duro ter um pai que jogou futebol, mas, ao mesmo tempo, agradeço muito.
Camisa 10 do Werder Bremen, Leonardo começou no último clube do pai, o Energie Cottbus, hoje na 3ª divisão alemã. De lá, foi para o poderoso Borussia Dortmund, mas não teve espaço no time. Ele passou por Hannover, Koln e Hoffenheim até chegar ao Bremen.
A fase está boa. Estamos bem, começamos bem o campeonato. Vamos ver se esse ano a gente consegue conquistar alguma coisa melhor que ano passado. Ver se a gente consegue chegar perto para jogar um campeonato internacional. Comigo está legal também. Joguei bastantes jogos conquistando minha vaga aqui e fazendo meus golzinhos também para melhorar e ajudar o time.
Nesta terça-feira, às 16h45, o Bremen enfrenta o Arminia Bielefeld pelas quartas de final da Copa da Alemanha, a DFB Pokal. Se avançar, a equipe enfrenta RB Leipzig ou Wolfsburg, que jogam no mesmo horário. Bayer Leverkusen e Stuttgart avançaram do outro lado da chave.
- Esse ano a gente está bem no DFB Pokal. Vamos jogar com um time que é da 3ª divisão. Claro que não é fácil, mas temos que passar. E depois é semifinal, e aí é final. São mais três jogos para ganhar a taça também. Isso também está na nossa cabeça, mas vai ser difícil. Estou há 14 anos aqui, consegui duas vezes semifinal, mas para final nunca fui.