Atlético-MG remodela dívida da Arena, mas credores negam alívio no pagamento; entenda impacto

Clube tentou postergar R$ 63 milhões de 2025 e 2026 para os anos seguintes e agora precisará captar novos empréstimos. Soluções ainda dependem de aportes e avais dos acionistas da SAF

CVNEWS/GE


Rodrigo Capelo explica a situação financeira do Atlético-MG

O Atlético-MG chegou a um acordo com credores da Arena MRV, nesta quinta-feira. A negociação foi conduzida ao longo dos últimos meses para remodelar a dívida oriunda da construção do estádio, inicialmente de R$ 440 milhões, por meio de certificados de recebíveis imobiliários (CRI).

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A diretoria atleticana conseguiu a aprovação dos credores — as pessoas que investiram nesses certificados  para alterar uma série de regras de funcionamento do fundo, chamados de "covenants".

Por exemplo, haverá uma conta separada que receberá as receitas de bilheterias, sócios-torcedores e televisionamento, para garantir o pagamento, além da restrição da tomada de novas dívidas.

No entanto, a diretoria não convenceu os credores a ceder um novo prazo de carência para o pagamento dos valores. A proposta era que o Atlético-MG deixasse de pagar R$ 63 milhões em 2025 e 2026 e repassasse essa quantia, acrescida de juros, para os três anos entre 2027 e 2029.

Sem a aceitação da carência, o clube terá de captar empréstimos bancários para conseguir um alívio no caixa. Não chega a ser péssima notícia para a SAF em si, pois a taxa de juros obtida nesses créditos tende a ser inferior à dos CRIs, mas é um revés para os acionistas do clube-empresa, pois são eles que dão o aval bancário dessas operações.

Na apresentação que Bruno Muzzi fez à imprensa na quarta-feira, sobre as finanças, o CEO atleticano detalhou as dívidas bancárias da SAF. Os juros da Arena MRV estão entre os mais altos, entre todos os empréstimos em aberto. No total, a SAF deve R$ 917 milhões a instituições financeiras e aos credores do estádio .

Estado das contas

Em cinco anos, de 2020 a 2024, o Atlético-MG conseguiu uma diferença positiva entre suas receitas e custos somente no ano passado. Impulsionado pelas premiações e bilheterias da Libertadores e da Copa do Brasil, a SAF registrou um saldo positivo de R$ 8 milhões.

Na conta de investimentos — a diferença entre compras e vendas de atletas, que inclui comissões e luvas por renovações contratuais —, o quadro continua negativo. Em 2024, foram R$ 211 milhões investidos em jogadores, contra apenas R$ 155 milhões arrecadados.

Por ainda ser um clube endividado, sobretudo com bancos, os juros que o Atlético-MG paga são altos. Embora não tenha apresentado números à imprensa, na renegociação com os credores do estádio a SAF projetou um resultado financeiro negativo de cerca de R$ 130 milhões por ano.

A combinação desses três fatores explica as dificuldades financeiras do clube-empresa. Como a conta raramente fecha em seu operacional (receita menos despesa), na balança de atletas e nos juros, que tendem a aumentar no Brasil neste ano, a saída para a SAF atleticana tem sido recorrer ao dinheiro de seus donos, principalmente Rubens Menin.

@rodrigocapelo



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