Arroz começa a cair de preço no campo e sobe menos no varejo

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Área de plantio de soja e arroz no Rio Grande do Sul. FotoDivulgação Federarroz

Ainflaçãodos alimentos, que estava em 1% no início de dezembro, atingiu 1,64% na segunda quadrissemana de janeiro (últimos 30 dias até o dia 15). Arroz e feijão pesam nessa taxa.

A boa notícia para o consumidor é que a alta do arroz perdeu ritmo neste mês, mas a do feijão acelerou. Os dados mais recentes da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) indicam um reajuste de 7% nos preços do arroz no acumulado de 30 dias, abaixo dos 7,6% do final de dezembro.

Já o feijão, que estava com queda de preços em novembro, sobe 12% neste mês.

A alta de preços dos dois itens básicos à alimentação diária da maioria dos brasileiros se deve ao período de oferta menor de produtos, o que causa uma queda de braço entre produtor e comprador. A safra do arroz está atrasada e só virá com um volume maior a partir de março.

Segundo Vlamir Brandalizze, a cadeia toda do cereal segue pressionada, do produtor ao varejo. Essa disputa mantém os preços em até R$ 140 a saca, dependendo da qualidade do produto.

O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) indica preços médios de R$ 125 por saca no Rio Grande do Sul, apontando a quarta queda seguida nos últimos dias.

No supermercado, o pacote de cinco quilos vai de R$ 28 a R$ 40, preço que deverá permanecer aquecido devido ao pagamento aos participantes do Bolsa Família e à necessidade de reposição de produtos nas gôndolas, afirma Brandalizze.

O feijão está em início de colheita e a oferta ainda é restrita. O comprador tenta baixar os preços, mas o produtor resiste em negociar a valores menores, o que coloca a saca do carioquinha na faixa de R$ 300 a R$ 390, dependendo da classificação da leguminosa.

Segundo o analista, no entanto, já há uma tendência de queda nos preços.

O agricultor já se prepara para a segunda safra, mas ainda está temeroso sobre a possível ocorrência de pragas. O atraso na colheita de soja transfere a mosca branca dessa cultura para a do feijão, exigindo mais cuidados e maiores custos para os produtores.

A alta dos preços do arroz está relacionada também ao mercado externo. A produção mundial será de 513 milhões de toneladas, um volume recorde, mas os estoques iniciais da safra 2023/24 são 4,1% inferiores aos da anterior.

Com isso, a oferta total de arroz será de 689 milhões de toneladas, 3,5% inferior à de 2022/23, segundo o Usda (Departamento deAgriculturados Estados Unidos).

A China, líder mundial em produção e consumo, reduziu a área do cereal para 29 milhões de hectares e produzirá 145 milhões de toneladas, o que provocará uma redução dos estoques finais do país asiático para 102 milhões.

A Índia, que produz 132 milhões de toneladas, também terá redução de estoques finais para 33 milhões, o mesmo ocorrendo com Tailândia e Indonésia, países que se destacam na produção mundial.

No Brasil, a área de plantio subiu 6%, para 1,57 milhão de hectares. A produção cresce 7,2%, atingindo 10,8 milhões de toneladas, conforme os últimos dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). O órgão federal reavalia esses dados no início do próximo mês.

Os preços não têm muito espaço para quedas, uma vez que a oferta e a demanda estão ajustadas no Brasil nas próximas semanas. O cenário se repete no mercado internacional (Folha, 24/1/24)



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